sexta-feira, 18 de Abril de 2008

A morte, a fuga ou o cansaço da Garça?

Convidaram-nos um dia para uma sarrabulhada. Era na casa de um lavrador abastado que eu não conhecia há muito tempo mas que se me revelara ser uma pessoa de princípios, que olhava a meios para atingir fins. A casa de lavoura era ampla o suficiente para albergar na sala principal uns vinte convivas, a família, os compadres, uns amigos mais chegados, até o padre.
O dono da casa era pessoa frugal, nas ocasiões festivas não havia que fechar a carteira e em particular, comemorando-se um aniversário significativo para a família, resolveu convidar também para participar nesta alegria este amigo recente e mais dois, sem que o tempo constituísse para ele qualquer critério.
Quando já todos estávamos nos aperitivos, surgiram umas tantas pessoas, não se sabe de onde, nem quem os havia convidado, que se foram juntando ao grupo já constituído com ares tão insinuantes que a maioria os recebeu sem constrangimento, sem se interrogar porquê.
Quem já conhecia um era eu, um figurão de primeira, de bons modos, mas de cuja presença não descortinei os motivos de momento. O dono da casa com alguma estupefacção, mas sem desconforto, logo os convidou a almoçar e quem era eu para fazer algum reparo?
Sem alarido desviei-me para a sala ao lado, onde já se afadigavam a arranjar mesa para cinco pessoas, as quais acabaram por ser eu e os meus dois companheiros, mais dois velhos amigos do anfitrião sempre prontos a colaborar.
O lavrador abastado ainda nos visitou mas pareceu receoso das palavras, temeroso de mais para quem estava em sua casa. Não levei a mais do que um sinal de subserviência neste homem que sabia tudo da terra mas pouco de lavrar as palavras.
Sempre o considerei, sempre que o encontrei não medi o tempo que lhe dediquei, procurei seguir o sulco deixado pelas suas palavras, congratulei-me com os momentos de fulgor da sua vida e lastimei os desaires. Mas sempre declinei qualquer outro dos convites que me veio a dirigir para ir a sua casa

sexta-feira, 11 de Abril de 2008

Os jovens sem horizontes ficam-se pelo caricato

Os jovens têm à sua frente o tempo todo do mundo. Os jovens têm à sua frente o mundo todo. Aquilo que podia ser outrora motivo de aventura, que se desconhecia e só pressentia para além das nossas limitadas vistas, fronteiras, possibilidades, é hoje um mundo aberto, amplo, fraterno.
Por mais divergências que tenhamos com o mundo, nós sabemos que ele nos compreende, sabe quais são as nossas ambições, conhece os nossos mais íntimos desejos. E nós também o entendemos, sabemos que ele não quer mais do que nós queremos, que os seus desejos são os nossos, afinal.
Este anel à volta do mundo não é o anel da solidariedade que se imponha mas pelo menos é o anel da humanidade em que cada vez mais nos reconhecemos. Sabemos que temos que viver uns com os outros, mas que isto não é nenhum mal a que estejamos condenados, antes vai servir cada vez mais de alimento para a nossa criatividade.
A nossa vida colocou-nos em diferentes pontos de observação, limitou de modo diverso o alcance das nossas vistas, submeteu-nos a um constante vai e vem de perspectivas. Quando se pensaria que os homens mais experientes seriam os mais avisados, eis que nos surge na nossa frente uma luta incessante de interesses a que com dificuldade fugimos.
A nossa juventude tem o tempo e o mundo à sua frente mas também estes perigos da insensibilidade e da mesquinhez. Os interesses não são apanágio dos velhos mas também ela os já bebe com o leite materno. Por isso o esforço educativo tem que ser canalizado para a humildade e a fraternidade, para a comunhão da alegria que não seja à custa da tristeza.
Na minha juventude andávamos sempre à procura do caricato para nos rirmos. Encontrávamo-lo por todo o lado e pouco mas também na escola. Hoje com tanta permissividade, mas tanta regra, o jovem também procura. O caricato está pouco por todo o lado e muito na escola. Esta tem que lhe abrir novos horizontes.

sexta-feira, 4 de Abril de 2008

A Primavera no ciclo das Estações

Somos muito determinados para o bem e para o mal pelos ciclos naturais, é sabido. As estações do ano constituem um desses ciclos que exercem em nós uma forte influência, predispondo-nos para actividades indispensáveis na época e desmotivando-nos para outras. Só que a nossa vida já se desviou bastante desses ciclos.
Esta estação em que estamos, a Primavera, a mais promissora em termos de processo vegetativo de todas as quatro, traz-nos também problemas, até físicos, que todos sentem, uns porém mais intensamente do que os outros. Nascem-nos borbulhas, temos alergias, etc., etc.
Mas o que me interessa é que, sendo a Primavera a época por excelência das flores, do revigoramento do tecido vegetal, não é, no entanto, propícia a uma escrita leve, escorreita, despretensiosa. As palavras prendem-se, custam a sair, em contraste flagrante com a natureza exuberante.
Parece evidente que a natureza não gosta de palavras, antes quer contemplação, deslumbramento. Ela absorve-nos em certa demasia o espírito. Apresentando-nos tudo como constituído, não nos deixa grande espaço para criações nossas. É normal nesta altura virmos expressar opiniões embasbacadas e levianas sobre os propósitos que a natureza terá em nos enlevar.
Normalmente nós construímos para colmatar uma falha da natureza, para compensar um defeito, para a complementar, mas quando ela nos aparece assim tão cheia, tão dotada de todos os atributos que nós atribuímos ao belo, achamos que a mexer na natureza corremos o risco de a estragar.
Fugindo à ligeireza das palavras de ocasião, eu gosto de jardins, do espírito do jardineiro, mas a natureza acompanha-nos na rejeição de que se queira aprisionar a beleza dentro de um gradeamento. Numa cidade os jardins devem ser vistos mais pelo seu aspecto sanitário, prático do que da beleza em si.

sexta-feira, 28 de Março de 2008

Este rio tem história que é parte da nossa história

O nosso rio é como um ser vivo, tão importante, tão sensível, tão vulnerável, cujo valor não pode ser comparado e que ultrapassa a nossa dimensão. Devíamos tratá-lo com o carinho que dedicamos às pessoas de que mais gostamos.
Infelizmente pouco se sabe dele, do seu passado a não ser que dá lampreias e já deu peixes bem mais nobres e salutares. Deixamos que lhe fizessem todas as maldades, que o utilizassem no único propósito de encher os bolsos a alguns.
O nosso rio é grande em tudo, só em cumprimento é pequeno. Parece até impossível como em tão curto trajecto arrasta consigo tanta água. Só se compreende por sermos a região do País em que mais chove e ser larga a sua bacia, quanto mais avançamos para a nascente, do Laboreiro ao Xerez.
Em 1949 foi inaugurada a barragem de Las Conchas que submergiu as melhores terras do médio Límia. Na altura não foram estudadas os reflexos desta barragem no curso inferior do rio, mas é natural que não tenham sido significativos porque continuaram a haver grandes cheias no Inverno e seca no Verão.
O pequeno aproveitamento do Lindoso de então não teve qualquer implicação visível embora os ladrões espalhassem periodicamente a ideia que iam abrir a barragem para causarem o pânico na feira e se entregarem melhor ao seu “trabalho”.
Nos anos sessenta o governo espanhol promoveu a canalização dos dois cursos de água que dão origem ao Límia, secando a maioria do sistema lacunar da longa planície de Ginzo de Limia. Foram alterações profundas ou tratar-se-á apenas de bulir na superfície e o sistema mantém-se inalterado?
No entanto foi há 15 anos que se deu a grande revolução neste rio com a barragem de Lindoso e com todas as implicações que isso teve no sistema de cheias, no regime de caudas que passaram a variar de uma maneira diferente da de antigamente. A história deste rio é também a nossa história.

sexta-feira, 21 de Março de 2008

A nossa cabeça está cheia de lixo

“A nossa cabeça está cheia de lixo” o que sendo uma verdade insofismável já chegou ao domínio da canção. Não há dúvida que é uma forma pedagógica de transmitir uma ideia. Mas como todas as fórmulas simplificadoras corre o risco de se perder e não ter muitos efeitos práticos.
O lixo não é só constituído por aquelas séries que alguém memoriza para se dar ares de alguma sabedoria em algum domínio. Há quem recorde com precisão matrículas de carros, resultados e jogadores de futebol, filmes, canções. E ainda há séries mais extravagantes, sem préstimo que se veja.
No geral são dados sistematizados cuja classificação como lixo pode ser um pouco abusiva. Sendo o lixo aquilo que nós podemos deitar fora sem que isso constitua qualquer perca significativa para nós, não há dúvida que há outros dados dispersos de que nos poderíamos ver livres sem prejuízo.
Normalmente nós gostamos de recordar muita coisa, mas com a experiência começamos a ser mais selectivos. Mas se ainda vamos a tempo de colocar um filtro à memorização de pormenores sem interesse é porém mais complexo livrarmo-nos daquilo que na inocência de outros anos guardamos inutilmente.
Esta possibilidade de escolha daquilo que é lixo faz-nos também pensar em como seria benéfico deitarmos fora da nossa memória as coisas desagradáveis que vivemos, os momentos de humilhação, ou até de desvario da nossa parte.
Não será tão fácil, até porque as repercussões desses períodos mais negros já se terão repercutido na nossa emotividade. E alterar este estado de coisas só com uma diferente compreensão dos acontecimentos, com um melhor conhecimento de nós mesmos, caso contrário ficará um hiato insuportável. São experiências com que aprendemos a viver.

sexta-feira, 14 de Março de 2008

A nossa morfologia casa-se com o rio e as canoas

Nós Limianos, será melhor não entrar nessa polémica do nome, vivemos pouco virados para o rio que no-lo deu. No entanto nós não lhe devemos só o nome, devemos-lhe tudo, esta largueza de vistas, esta paisagem cercada de serras, estas planícies fartas, este ar puro, este céu azul.
Conhecemo-lo como um rio rebelde. Não tinha aquela paragem tão acentuada no Lindoso. Vinha de “Las Conchas” com tanta bravura que mantinha limpas as suas margens, a areia fina do seu leito, a sua água era límpida e cristalina. Galgava as margens no Inverno, mirrava nas suas areias no Verão.
Hoje ainda não é o charco de água putrefacta que outros são, o canal de imundice em que alguns se tornaram, traz sempre alguma água graças à sua retenção na barragem do Lindoso, mas a sua estagnação torna-a pouco límpida, a poluição também sub-repticiamente se vai agravando.
Mas o Rio Lima ou Limia, como se queira, é a menina dos nossos olhos e tudo devíamos fazer por ele. E devemo-lo utilizar em todos os aspectos que quanto o mais fizermos mais o amamos. Se ainda pudermos fazer piquenique e andar de barco.
A nossa juventude tem hoje ao seu dispor o Clube Náutico de Ponte de Lima, como espaço para a prática de um desporto saudável. A canoagem casou-se de tal modo connosco que, sendo hoje já um desporto importante, sem dúvida irá constituir no futuro o desporto mais praticado em Ponte de Lima.
A canoagem adequa-se perfeitamente à morfologia da maioria dos nossos jovens e tem pois um vasto campo de aplicação. Adapta-se tão bem como se a canoa fosse a mais natural maneira de nos relacionarmos com a natureza. Decerto que é a mais antiga.
O único contra é que o rio necessitava de uma adaptação para a prática da canoagem, da criação de um canal mais fundo que desse outra sustentabilidade às canoas. As algas finas que tomam conta do seu leito enrolam-se nos lemes, os barcos encalham nos bancos de areia, os atletas lesionam-se.

sexta-feira, 7 de Março de 2008

Preparar uma decisão afastando o melindre

Se procuro escrever estas linhas em todas as edições deste Jornal é porque tenho disponibilidade para uma intervenção a diferentes níveis e a acho de algum modo útil. Não me é pedido ser pró ou contra, seria descabido, aliás só excepcionalmente as coisas são assim tão simples.
Temos muitas vezes a falsa ideia de que o poder nos exige que sejamos a favor ou contra todas as suas medidas. Dificilmente isso pode acontecer e quando aquele apoio é pedido há a procura de um totalitarismo absurdo, o que deve ser desde logo rejeitado. A nossa dignidade deve-nos impor isso.
Claro que devemos fazer um cômputo geral, uma avaliação mais ou menos detalhada e tirar uma conclusão. Mas esta será sempre subjectiva e devemos ainda assumir a sua relatividade. Deve ter em conta acima de tudo as opções em presença e não outras de que possivelmente gostaríamos mais. E além disso esta apreciação global só se justifica em certos momentos.
O que normalmente acontece é que este facto, a falta de alternativa viável, leva muita gente a uma atitude acrítica, a um militantismo anti-opinativo, vindo ainda dos tempos de Salazar. Esta ideia de que quem critica é prejudicial a quem faz é bizarra. Quem faz deve ter em conta as críticas no processo de decisão.
Ninguém se pode colocar a um nível superior, de se não querer submeter aos reparos dos outros. Principalmente quando se fazem coisas novas, quando se sai de um alinhamento mais previsível, imponha-se uma discussão aberta e que fossem facultados todos os dados que sustentam a decisão.
Quem pretende exercer o poder ou de qualquer maneira intervir deve-o fazer quando é possível e à posteriori se tiver que ser. O que se nos impõe é sermos claros na sustentação de um decisão diferente, de um outro rumo se for caso disso. Quem se sentir melindrado só tem que se preparar melhor para tomar melhores decisões.

sexta-feira, 29 de Fevereiro de 2008

O sobe e desce dos nossos passeios

A zona histórica da Vila de Ponte de Lima foi há anos empedrada segundo um gosto que não é o de todos, mas as modas são assim. A pedra deveria ter sido exclusivamente da região, mas não o foi, tendo até sido instalada alguma pedra espanhola de textura e cor diversa da de cá.
Neste empedrado contínuo houve necessidade de colocar tampas para acesso a caixas de vária origem, desde saneamento, telefones. A pedra de granito é dura mas a sua resistência depende muito da forma como é cortada, como é colocada, da disposição das suas faces.
Estas tampas andam permanentemente partidas. Toda a espécie de transportes invade as áreas pedonais da zona histórica para cargas e descargas a qualquer hora do dia, sem quaisquer regras, contrariamente à prática existente em locais semelhantes. É tal o movimento que ninguém diria que o comércio dessa zona estivesse em crise, como está.
Peão sofre. Partem-se uns tacões, estragam-se uns sapatos, torna-se penoso ter que passar várias vezes nos mesmos locais. E a solução era tão fácil. O granito não é material que dê para fazer tampas de dez centímetros e tampas mais grossas tornar-se-iam difíceis de remover quando se queira aceder às caixas.
Mas não é só aqui que os peões têm problemas. Parece que determinadas ruas ainda são entendidas como estradas que atravessam a Vila. Faltam passeios em vários locais como a Via Foral D. Teresa, a Rua da Adega, a Rua entre a Ponte da Guia e o acesso ao Cemitério da Vila.
O sobe e desce passeios e piso de estrada é perigoso, quando chove ainda se torna mais difícil. As pessoas do jogging nocturno mereciam que pelo menos houvesse passeio em todo o circuito citadino Escola da Freiria, S. Gonçalo, Rotunda da Feitosa, Ponte de Crasto. Nem sempre é recomendável ir para a ecovia.

sexta-feira, 22 de Fevereiro de 2008

Espaço é coisa que nos não falta, soubéssemos nós organizá-lo

Da feira do gado ou da feira das galinhas, aqui bem junto ao Largo de Camões, saíram vários craques da bola. Era aí o campo de treino privilegiado da mocidade de há uns trinta anos para trás. E espectadores não faltavam em cima dos paredões.
Ao fim da tarde, depois da escola, mas também já do trabalho de muitos, juntavam-se aí ao fim da tarde para uma peladinha, para queimar as últimas energias, para afinar os músculos, que não para ganhar apetite, que esse não faltaria.
Nos dias de hoje os carros tomaram conta daqueles espaços. Faltam na área da zona histórica um palco para alguma actividade física dos mais jovens. A energia é muitas, os jovens alimentam-se bem, de certo que em excesso e uma bola é sempre o atractivo maior para começar uma brincadeira, seja qual for o local.
Uns esperam que os pais fechem os estabelecimentos, outros pelos autocarros que os hão-de levar à aldeia, os jovens não podem simplesmente estar parados, hoje já não toleram tempos mortos, de simples contemplação da natureza.
Por sua vez a gestão do espaço urbano passa por criar pequenas zonas verdes, áreas de lazer, livres de carros, esplanadas ou outros equipamentos urbanos, para permitir uma fruição sem regras e sem constrangimentos do espaço.
Mas há espaços onde as regras terão que existir, não é possível coabitar gente a passar, esplanadas apinhadas e miúdos a dar chutos despropositados a bolas de futebol de onze. Neste jogo de interesses entre os vários utilizadores do espaço público é necessário intervir para satisfazer a todos.
Temos a maior sorte do mundo. Espaço é coisa que nos não falta, soubéssemos nós organizá-lo, dispusesse-nos os vários equipamentos convenientemente e teríamos todos algum reservado para as nossas actividades mais favoritas.

sexta-feira, 15 de Fevereiro de 2008

Toda a vaidade e toda a inveja são marginais na história

Este afã de colocar tudo em livro, em audiovisual, até na Internet revela uma preocupação com uma mudança que está em curso e nos fará esquecer de todo um passado que devemos preservar, independentemente de ter sido bom ou mau.
O ideal seria que nós memorizássemos em suporte impessoal factos, modos de vida, afazeres, tudo aquilo que pudesse ser utilizado como tema de estudo no futuro. Garantir-se-ia um acesso fácil, imediato e generalizado. Tudo o resto se vai perder.
Era costume há uns anos fazer os maiores elogios às pessoas de memória brilhante que nos podiam dar indicações preciosas sobre os acontecimentos que tinham presenciado. Até se entendia como sábio aquele que era capaz de descrever com alguns pormenores algumas histórias do seu tempo.
Tudo tem o seu lugar. Mas as pessoas estão muito dependentes da sua perspectiva e a história de uma época é a história que integra a história de todos mesmo quando a história de muitos é marginal em relação ao eixo vital, ao fio condutor que fez com que o presente seja aquele que temos.
Quer dizer que, mesmo que eu não queira, eu também lá estou na história do meu tempo, marginal ou não em relação a toda a história dos meus contemporâneos. Quanto cada um de nós mais próximo se consegue colocar em relação àquele fio condutor que nos trouxe até aqui mais sábio será.
Toda a sabedoria reside em nunca desprezar o medo, o sacrifício, em perseguir mais de perto ou mais de longe aquele eixo vital, em conseguir transmitir aos novos a humildade de aceitarmos aquilo que o nosso esforço é capaz de obter, a luz que partilhamos e nos ilumina o caminho.
Tudo o que é superficial se esvairá um dia. Deixaremos de correr atrás da vaidade porque perceberemos que essa é a melhor maneira de nos afastarmos dos outros, sem benefícios efectivos. Deixaremos de ser impulsionados pela inveja porque essa nos cega e nos rouba a paz.

sexta-feira, 8 de Fevereiro de 2008

Será a melhor forma de encomendar um estudo?

Em Ponte de Lima nem tudo tem sido agricultura. Além de ser importante estudar esta sob um aspecto económico, que não só folclórico, seria também de estudar as outras actividades, mais ou menos relacionadas com esta e com alguma relevância no panorama limiano.
“Serração de madeiras, pedreiras, minas (volfrâmio, estanho, ouro), lagares de azeite, são as nossas indústrias mais tradicionais de cuja arqueologia se não houve falar”, escrevi algures. Bem mais de uma centena de moinhos de água restam em ruínas. Ferreiros e carpinteiros tradicionais desapareceram. Da actividade mineira só restam casas entretanto ardidas ou vandalizadas, minas de certo modo perigosas e mal protegidas.
Terá a Câmara Municipal acordado para esta problemática? O projecto Terra Rica da Humanidade preocupar-se-á com este aspecto do nosso passado? O pelouro da Cultura ter-se-á apercebido desta lacuna e abriu um concurso para que jovens licenciados quisessem fazer trabalhos sobre este tema?
Numa iniciativa desgarrada a Câmara resolveu encomendar um trabalho sobre as fábricas de serração de madeira e convidou uma jovem licenciada devidamente habilitada mas que por motivos profissionais não pôde aceitar o encargo. Porque é que a Câmara se cansou e desistiu desse caminho?
Ao primeiro “expert” que apareceu atribui 5 000 € para um trabalho cujo projecto, âmbito e estratégia se desconhecem. Como se não conhecem os seus contornos só por analogia se pode conceber como uma recolha de fotografias e audição de umas histórias avulsas e melodramáticas?
A Câmara Municipal tem patrocinado muitas publicações, mas diferente é quando se quer um estudo sério, sistemático, perceptível pelos destinatários e lhes faça algum proveito, que fique para a nossa memória colectiva, não uma simples recolha fotográfica ou um repositório de depoimentos desconexos.

sexta-feira, 1 de Fevereiro de 2008

Ver a árvore e a floresta, ver a floresta mas também a àrvore

Há pessoas que têm tendência para ver as coisas com mais minúcia e outras para ver de uma forma mais genérica. Outras ainda serão capazes de ver todas as coisas das duas maneiras, ver a árvore e a floresta, ver a floresta mas também a árvore.
Depois é uma questão de qual a sua capacidade de relativização e aí constatamos que para generalizar estamos nós todos prontos e para observar com minúcia já só estamos alguns. E aqui está a diferença entre ser responsável ou não.
Não é propriamente um defeito generalizarmos a partir dos sintomas mais negativos, ver tudo negro. Nós somos vítimas das circunstâncias de se não achar desonesto avaliar o estado de uma situação como negra, quando nela encontramos mais pontos positivos que negativos.
O contrário também é verdade: Generalizamos o que consideramos positivo, quando essa é a moda, porque realçamos os pontos positivos quando eles estão em minoria em relação aos negativos. A moda é tão só um movimento a que damos uma força excessiva. Quando se diz que Ponte de Lima está na moda não há nada mais a dizer. Mas conviria analisar os seus pontos marcantes.
A nossa aversão ao estudo, ao exame detalhado das coisas faz com que sejamos fracos na análise e pródigos na síntese repentina, judiciosa e condenatória ou laudatória. Como isto não depende de quaisquer sentimentos intrínsecos, perdoamos as pessoas, desculpabilizamos os efeitos.
Gente avisada seria mais comedida e não acreditaria tanto que, por termos a mesma emotividade, partilhamos os mesmos sentimentos ou repercutimos as nossas opiniões de forma imediata noutros. Os sentimentos aferem-se entre si e as opiniões comunicam-se sem querer levar as pessoas a tirarem quaisquer conclusões apressadas e defeituosas.
Não aceito que uns se arroguem o direito de espalhar o seu amor a Ponte de Lima como se os outros, todos os outros que se não apressem a apoiar e tenham uma visão diferente a não amassem. Uma nova visão de Ponte de Lima já foi divulgada neste Jornal e está em http://arquitecturaepontedelima.blogspot.com/.

sexta-feira, 25 de Janeiro de 2008

O Galo de pé descalço ao poleiro!

Criou-se um mito, uma imagem idílica dum mundo rural em que as aves de capoeira esvoaçavam livremente nas eiras de quintas e casais comendo os bichinhos da terra, a segadura da erva e dos restos das couves do caldo, algum milho para desfastio e engordavam sem custos que se medissem de modo mercantil.
Em qualquer momento a patroa estava pronta a degolar um dos seus melhores bicos a mando do marido para receber alguém de modo mais festivo. O que como é evidente só acontecia por festas, não quando aparecesse algum pobretanas.
A verdade é que tão poética fartura sempre foi vista como um sinal de egoísmo de quem viveria bem integrado na natureza e se estava marimbando para que o frango fosse inacessível aos suburbanos. Tanta fartura não colmatou a fome e seria preciso o frango de aviário para conseguir debelar de vez um mal secular.
Uns, mais fatalistas, dirão que o mundo rural tem tendência a morrer agarrado aos seus próprios valores, empolando sempre o seu contributo para a economia geral e nunca pondo em causa o seu atraso tecnológico e organizacional. Na verdade a nossa lavoura mostra-se incapaz de se preparar para o futuro, de prever os golpes devastadores que periodicamente caem sobre si.
Com o frango de aviário, o frango de pé descalço ganhou valor pela qualidade e o que poderia ser o seu fim tornou-se um incentivo à revitalização. Só que o frango caseiro vinha de uma realidade não mercantil. Quando se foi a fazer contas e verificar a diferença entre produção intensiva e extensiva e a pagar os factores de produção apropriados, ficou a perder.
Para agravar a situação, as gerações que hoje mais consomem alimentos são precisamente as gerações do frango de aviário, preferem-no, rejeitam mesmo o pé descalço, muitos já o acham quase intragável. Mesmo sem A.S.A.E. o seu mercado já está em manifesto declínio. Que haveremos de fazer por esta altiva ave, mantendo-lhe as características, a consistência e o sabor?

sexta-feira, 18 de Janeiro de 2008

Que a Festa se não faça só de décibeis e com a mesma canção

Poucos Santos conseguiram resistir ao apelo de Agosto e só as grandes romarias, como o Socorro, a Penêda, as Rosas ou as Feiras Novas, mais as festas aos três Santos de Junho, Sto António, S. João, S. Pedro, permaneceram no seu tempo, sem perder brilho, aliás. De Inverno resta-nos Sta Luzia, Sto Amaro e S. Braz, poucos mais, talvez porque sempre tiveram um mais acentuado cariz religioso.
Mas deixo ao nosso Exegeta Manuel Fernandes o cuidado de interpretar este fenómeno: Porque os Santos nos não trazem algum calor nestes meses de Inverno? Sem ser na Quaresma, vá lá, que isto entendo eu. Estamos, pois num período de acalmia que pode ser de reflexão. Toda a gente gosta de ter uma romaria à sua porta, um Santo protector, uma capela que lhe sirva de abrigo.
As características das festas mudaram radicalmente, nos lugares mais pequenos quiseram adoptar os padrões das festas mais centrais e concorridas. Na realidade isto levou a um encarecimento desmedido da realização das festas e romarias por todos os lugares do Alto Minho que tornou muitas insustentáveis.
A concorrência, pela concentração num curto período de tempo no ano, pelas mais variadas festas particulares, tem levado ao declínio de algumas, a dificuldades imensas, até à extinção. Impõe-se também aqui um esforço de imaginação para não deixar cair esse património, essa forma única de convívio, de juntar trazendo à terra gente que anda dispersa mas que mantém afinidades.
Já vai havendo consciência que os decibéis não são o remédio, que seria melhor caminhar no sentido das particularidades do que porem-nos todos a cantar a mesma canção. O espírito do lugar pode andar revoltado, não tem merecido o carinho que deveria ter dos habitantes, mas, se as pessoas procurarem, podem vir a realizar algo de mais espontâneo e natural que o modelo de festa que hoje impera.

sexta-feira, 11 de Janeiro de 2008

Os opinadores modelares

Quando nos empenhamos numa “obra” sempre chega a altura de fazer um balanço e esta centésima bicada da garça é bem apropriada para isso.
Esta coluna de não jornalista não tem por intenção primeira revelar ao leitor factos novos, mas é utilizada para apresentar um acontecimento esquecido, uma opinião trivial sob um prisma diferente, até que sob o habitual não teria g®a®ça nenhuma.
Por pretensão só tenho a de, como voz, fazer parte da opinião pública, sem preencher esta ou aquela cota ou lacuna, mas com a certeza que esta ainda é uma forma digna e eficaz perante o falhanço de outras maneiras de intervenção cívica.
A maioria dos opinadores costumam adoptar modelos, posturas, opiniões e depois procuram os factos aos quais, na sua perspectiva, estes se podem aplicar. E vá de garatujar umas palavras mais ou menos bem escritas e aplicar-lhes aquela moldura e a sua credibilidade (que pensam ter).
As conclusões são sempre as mesmas e para não haver dúvidas colocam-se em primeiro lugar para não enganar o leitor. Não é esta a forma que eu adopto para escrever, porque é necessário ver o presente, mas ter consciência que nele existe muito de circunstancial, de efémero. Não formulo sentenças.
Acreditem que já tudo está dito mas a forma é que faz a diferença. E nessa forma inclui-se o léxico utilizado que permite classificar o tipo de prosa ou verso que vai sair: Grito, lamento, arroto, vómito, bisca, perdigoto. O meu léxico é outro.
Há aqueles que pensam ser uma escrita rebuscada para fugir a afrontar ninguém, a criticar opiniões alheias. Mas o poder ou se põe a jeito ou só tremerá quando houver uma opinião pública com força intelectual para opinar. Então tremerá.
É dos livros que os que detêm o poder o seguram bem e relativizam as opiniões alheias. As suas podem ser “patetices”, mas valem mais por serem de quem são. Não me cansarei de pregar as minhas, mas, sendo livre, não sou justiceiro.

sexta-feira, 4 de Janeiro de 2008

Os pobres com e os pobres sem ... vergonha

Há pessoas que, com chorudas fortunas, que as poriam bem acima das remediadas, se escondem, mas inscrevem em tudo que é cabazes de Instituições de Caridade ou até de Organismos Públicos, simulando uma necessidade que não têm.
A Caridade tem de ser transparente para que quem a pratica o faça sem ter que estar sempre de pé atrás e para que quem a receba o faça com um sentimento de gratidão que sempre se deve ter para com as pessoas que, sem estarem obrigadas a isso, ajudam os outros com aquilo que é seu.
Antigamente os pobres conheciam-se, eram mesmo pobres, havia uma roupa de pobre, um comportamento de pobre e infelizmente os cães ladravam mais aos pobres que aos ricos, havia mesmo um cheiro a pobre. Mas, como quase todos só usufruíam de um simples remedeio, a caridade era difícil.
Hoje posso crer que, se não há mais dádiva, não é por falta de meios mas porque todos temos um sentimento de que há muita falsidade, muito descaminho, muito aproveitamento, muita figura feita para a esmola. Também falta a relação directa entre quem dá e quem recebe, que tudo hoje é intermediado por organizações.
Conta-se em Ponte de Lima que há uma menina de meia-idade, rica herdeira, solteira e bem formada, boa rapariga, não duvido, e que até quereria casar, mas que não tem vergonha em certas ocasiões de passar por pobre. Só não digo quem é para não a atrapalhar com pretendentes, que isto de herdeiras ricas, virgoleiras e casadoiras vai cá uma crise.
Quem é pobre não devia pedir às escondidas, que será eventualmente vergonha ser pobre toda a vida, mas não o é decerto ser pobre em certas circunstâncias. Ninguém gosta de comentários e reservas, de ser apontado de pobre toda a vida.
Hoje até há pobres porque há pessoas que devem muito aos Bancos, embora tenham os seus bens. Devia haver mais clareza em todas as instituições, listas dos tais pobres que quem não deve não teme e a vergonha pública é boa conselheira.

sexta-feira, 28 de Dezembro de 2007

Como resocializar a marginalidade

Não faltam pessoas a dizer mal, como não faltam as que digam bem doutros crimes, conforme as exigências próprias. Minoram as opiniões que contribuam para não meter tudo no mesmo saco, mas também para não desculpabilizar alguns marginais legalizados.
Quando alguém acusa outros de haver actos de vandalismo, não raro recebe como resposta que, se vermos bem a coisa, não é tanto assim, até somos uma vila, um país pacífico. É uma solução que o não é, é dizer que com o mal dos outros os que não são por ele atingidos podem bem. E os actos vão acontecendo.
Todo o vandalismo, inclusive o pequeno, deve ser combatido porque é indesculpável. O medo e a exemplaridade das sanções são a única forma de obstar à propagação do espírito de imitação.
O pequeno delito pode ser uma experiência feita por um “potencial” criminoso para testar a sua própria força espiritual. Mesmo sem qualquer inclinação prévia o sucesso de um delito prepara emocionalmente o praticante para um mais grave. Relaxa a exigência que todos fazemos a nós próprios de sermos dignos.
Criou-se a ideia bizarra que o pior maldizente, o delinquente é um espírito fraco que não resiste a uma tentação qualquer. Na realidade ele sabe que está a desrespeitar normas de convívio social indispensáveis e a fraquejar em face das exigências feitas.
Mas ele também se fortalece porque desta maneira assegura o “direito” de ser rico, a ser “respeitado”, de pertencer a um grupo de cultura contestatária e a socializar-se por essa via esconsa. Todos se conformam a que os marginais façam parte igual da sociedade.
A resocialização seria um processo de desvinculação e reorganização de estruturais mentais, um repensar do relaxamento humano que ajude a canalizar e reagrupar as forças pessoais para vencer as dificuldades que a sociedade cria a todos.
Tudo nos serve para julgar as pessoas e a sociedade, mas falta-nos a força moral para exigir aos outros um acto de vontade que vá mais fundo, às razões da nossa existência e que não exigimos a nós próprios.

sexta-feira, 21 de Dezembro de 2007

A sexualidade e a natalidade, de indutores a incompatíveis

Reduzir a sexualidade a um factor determinante para a procriação já hoje está posto de parte nas sociedades mais desenvolvidas. Hoje até constituirá um factor negativo que leva mulheres e homens ou os dois a rejeitarem os nascimentos com o fito de desenvolver uma sexualidade mais sofisticada.
Nos países menos desenvolvidos ou nos guetos sociais essa ligação primária é fonte de mais miséria, muito sofrimento e de morte. Numa fase mais atrasada da humanidade a sexualidade era efectivamente o estímulo que levava à reprodução da espécie. Mas a libertação dessa ligação é um avanço que deve ser reconhecido.
Hoje, numa fase mais adiantada da civilização, a procriação está condicionada por factores económicos ou provoca efeitos económicos seja qual for o prisma pelo qual se veja. Embora outros factores possam intervir, são estes os principais que o casal tem em consideração para avançar com a procriação.
A procriação é no geral considerada um sinal de esperança e altruísmo pelo que, quando um casal não acorda nela, é porque há desconfiança e egoísmo. Ambos, mulher ou homem, ou os dois recusam-se porque um ou os dois fazem contas e a discussão acaba por se reduzir a haver ou não condições económicas.
Esta é a ideia geral mas a maioria das pessoas não chega aí. Fica por outro tipo de condições, pelos hábitos de vida adquiridos, pela gestão do tempo para não frustrar outros objectivos, pelo sentimento irremediável de perca, pelo temor de que um passado que custou tanto a passar possa voltar a ser o futuro dos filhos.
É muito o tempo, até perto dos trinta anos ou até mais, que a mulher (e o homem) passam potencialmente férteis, com condições para realizar a sexualidade mas não a natalidade. Por isso para obstar à tão fraca taxa de nascimentos hoje existente tem que haver uma preparação psicológica para que aos trinta anos, quando já tiverem algumas condições, os jovens não estejam já tão descrentes na virtude natalícia.

sexta-feira, 14 de Dezembro de 2007

Não te envergonhes, mesmo tendo receio, de seres alegre...de dia

A alegria não é sentimento que ande para aí espalhado como mercadoria sem valor. Todos já tivemos momentos em que queremos levar tudo à séria, deita-se a alegria para trás da costas, que a tristeza ajuda-nos a enfrentar melhor a vida, até a dar mais valor aos momentos de júbilo, de congratulação. Mas abusamos.
E não me venham falar de crise. Dizem que é a ela que devemos o facto de não fazermos meninos, de não brincarmos com os que vão escapando. Não fora a maldita crise e andaríamos por aí aos pinotes, plenos de euforia, até parece.
Mas os países desenvolvidos do Norte já há muito que sofrem dos mesmos males e, com tanto progresso e riqueza, não têm eles deixado de lhes bater à porta. E como nós temos por hábito baralhar tudo, até temos uma ideia que quem tudo baralha é porque é sério, seria bom analisar melhor esta questão.
Uma postura mais comedida, sem ser patética, seria possível se emprestássemos aos nossos actos um pouco mais de alegria, sentimento que contagia, desinibe e estimula. Que o digam aqueles que procuram a noite como mundo apropriado para viver, talvez porque se sentem envergonhados de serem alegres de dia. Para eles a crise até só existe de dia.
Há quem diga que ninguém consegue ser alegre de dia, que o ambiente de dia é demasiado negro, ao passo que o da noite é festivo, mesmo esfuziante. A noite não exige esforço para se ser alegre, não há muralhas, há confraternização, há tão só códigos de linguagem e conduta que todos entendem.O dia não é mais que uma série de sombras, de armadilhas, de sustos e arrepios. Nesta sociedade cinzenta só um louco anda com a cara sorridente de dia. E quando interpelado tem que dizer que é por ter visto um homem a morder um cão, porque é proibido ser alegre, assim só… alegre… como uma garça (leia-se passarinho).

sexta-feira, 7 de Dezembro de 2007

Falta uma música ambiente que nos anime

Alguém me disse que melhor seria a música que tem constituído o ambiente sonoro das manhãs e tardes limianas ser a do Quim Barreiros, da Maria Celeste e do Marinho. Não vou tão longe.
Se o objectivo é criar o ambiente propício para o Natal, não haveria necessidade de música tão suave e intimista como aquele que se ouve para lembrar a aproximação de uma festa já de si aconchegadora e familiar.
É gratificante qualquer apelo à família que foi e deve continuar a ser o nosso mais importante centro de interesse. À sua volta reúnem-se novos e velhos com diferente empenho em manter laços, relações, simples afinidades sempre importantes para o nosso sistema referencial. Mas o Natal é uma oportunidade única.
Este encontro familiar, cujo carácter não é apenas simbólico, tem sobrevivido a muito artificialismo e corre o risco de ser submergido pelo valor de troca das prendas e por outras manifestações frívolas do universo mercantil. No entanto não vem mal ao mundo que se anime a rua e dinamize o comércio.
A família, mesmo sem as características doutros tempos, mantém o privilégio de constituir um alicerce para edificar a vida. Cabe à família não se deixar enredar por invejas e vaidades. Uma família está unida se todos compreenderem as dificuldades de uns perante a sorte que bafeja outros.
O Natal não se pode transformar num momento artificial, social somente, uma feira em que as vaidades se trazem até à família. Mas também não pode ser um altar de lamentações, de renúncias, de mortificações. Não há razões para viver o Natal escondido.
Uma boa música é uma maneira de ajudar a criar um ambiente salutar, de confiança no futuro, na transmissão familiar, no nascimento. O estereotipo da música de Natal tem mais a ver com o clima que normalmente se faz nesta altura do que com os sentimentos que se partilham nesta ocasião. O Natal de hoje necessita de música mais quente e apelativa.

sexta-feira, 30 de Novembro de 2007

Muito consumo, pouca consciência

Aproxima-se uma época de muito consumo e pouca consciência. Vivi a fase mais marcante da minha vida rodeado de entidades a fazer a apologia do uso parcimonioso do dinheiro, quando eu, como a maioria de nós, o não tínhamos. Por este indecoro é que nós não ligamos a essas recomendações.
Referia-me em particular às vozes outrora poderosas porque partilhavam de vários poderes, eficazes porque tinham uma repercussão profunda na maneira como a vida era vista pela grande maioria, com autoridade indiscutível pela infalibilidade que a partilha do sagrado lhe dava, e que hoje estão caladas.
Para as mentes daquele tempo o que hoje se passa é um escândalo. É no Natal que o dinheiro mais se esvai. Dir-se-á que é bom, que a economia floresce, que o dinheiro circula, incentiva e cria emprego. Fora o carácter supérfluo que algum deste consumo tem, está tudo bem quando é do nosso agrado.
De resto estou convencido que a maioria do consumo se refere a artigos necessários que poderiam ser comprados em qualquer outra ocasião e que só o são agora por haver mais disponibilidade. Em termos económicos só se poderá por em causa mesmo os produtos que têm proveniências exteriores ao nosso mercado.
Também de nada valeriam as retóricas morais que hoje já não teriam qualquer efeito. É mais salutar ter sentimentos contraditórios do que alimentar sentimentos arreigados. Por isso se é contra e se não é ao mesmo tempo. Por isso se dá prendas ao desbarato para se não ferir susceptibilidades. Por isso se alimenta o superficial em vez de partilhar qualquer sentimento mais profundo.
Mas se vai aumentar o consumo que aumente a consciência. Associemo-nos à campanha antecipada de prevenção rodoviária e ao apelo para que se atenue a mortandade que paira nas estradas. Que se gaste o dinheiro que aprouver mas que se seja comedido na estrada. Que se não gaste displicentemente a própria vida e a dos outros. È a melhor prenda de Natal.

sexta-feira, 23 de Novembro de 2007

Contra o ruralismo, a artificialidade, a submissão

O progresso provoca alteração dos ritmos, mas estes, só por si, estão longe de ser sinónimos de desenvolvimento. Muitas pessoas adquiram ritmos que nada têm a ver com a sua vida, andam sempre apressados à procura do nada.
Isto será uma “doença”. Como o é estar sempre apático, não alterarmos o comportamento perante qualquer sinal de emergência nossa ou alheia. Diferente será agir com frieza, o que pode ser habituação e profissionalismo e não indiferença.
Entre dois modos de ser tão extremados há muitos outros, mais ou menos louváveis, mais ou menos criticáveis, humanos como houverem de ser. Por aqui não há nada a dizer. Não podemos é defender ritmos de vida ultrapassados ou contribuir para a introdução doutros menos apropriados.
Quando falamos em ruralidade ou urbanidade associamos erradamente estes conceitos a outros que se referem a defeitos ou qualidades circunstanciais. Tudo se quer no seu lugar porque nada mais prejudicial a um dado ambiente do que o artificialidade. Não é baseado em factos isolados que diremos que há isto ou aquilo.
Tudo evolui e qualquer imposição é nefasta. A ruralidade subsiste em Ponte de Lima e até é defensável, se for do agrado de quem nela vive. Mas será abominável se promovida a ruralismo por quem acha que pode tirar partido dele, como realidade imutável.
A urbanidade é defensável e deve ser mesmo promovida como forma de contacto e convívio entre as pessoas. Mas é abominável quando esconde a introdução de comportamentos pretensamente evoluídos ou incomportáveis por demasiado sofisticados.
O maior problema nesta questão é que o maior transmissor de novas maneiras de proceder é a televisão, que o faz com muita superficialidade e artificialismo e que introduz, como comportamentos tipo, modismos e novidades passageiras que deixam rastos perniciosos. Cada um deve fazer o seu caminho, sem renegar o meio em que vive, mas sem se submeter a ele.

sexta-feira, 16 de Novembro de 2007

Se não se é apanhado pela boca, é-se apanhado por baixo da barriga

Em Ponte de Lima o preço da água consumida é escalonado e altamente progressivo. A relação é quase de 1 para 4. Para quem consumir muito água por mês, a que ultrapassar os 25 m3 é paga a 1,39 €, contra os 0,33 € que todos pagam pelos primeiros 5 m3.
Foi agora introduzido o pagamento do tratamento das águas residuais por indexação ao consumo de água. Utilizaram o mesmo escalonamento quantitativo para preços diferentes e submetidos a critérios diferentes de progressão de valores.
Para as águas residuais a relação é somente de 1 para 1,75. O seu tratamento no excedente aos 25 m3 é pago a 0,72 €, cerca de metade do custo da água respectiva, ao passo que os primeiros 5 m3 já são pagos a 0,41 €, mas superior em 25 % à respectiva água.
Em boa política social quem muito consome deveria pagar os custos da operação dos equipamentos e quem se limita aos consumos mínimos deveria pagar somente uma parte dos custos totais, podendo-se adoptar como critério os custos variáveis.
Dando de barato que assim possa ser, embora se não perceba tanta diferença nos critérios de progressão, a questão assume aspectos caricatos. Todos são convidados a consumir pouca água mas quem o faça paga pelo seu tratamento 125% do seu preço e quem o não faça só paga pelo seu tratamento 50%.
Há quem arranje explicação para tudo. Uns dirão que quem pouca água consome o fará preferencialmente para se lavar e se alimentar e a devolve na totalidade e bem suja à rede de esgotos. Os que consomem muita gastá-la-ão para fins menos conspurcantes e só devolverão uma pequena parte.
Outros dirão que o esgoto do quem consome pouca água é mais denso, bem sujinho como convém. Por exemplo consegue tirar o lixo do corpo com menos água. Já quem não liga à quantidade envia para o esgoto um resíduo mais diluído, deixa correr a água à larga.Não se pode ser pobre. Se não se é apanhado pela boca, é-se apanhado por baixo da barriga.

sexta-feira, 9 de Novembro de 2007

A nossa defesa está na frágil atmosfera

Para nossa sorte a Terra ainda não saiu da sua órbita e continua a rodar sobre si mesma num movimento que, à nossa dimensão, é perpétuo. Mas, se o Sol, por efeito da conjunção desses factos, continua a baixar no Outono, o calor do Verão não nos quer largar.
As alterações que estamos a sentir não tem pois a radicalidade que teriam se houvesse uma mudança naqueles parâmetros, mas já são suficientes para pensarmos que algo de menos esperado está a acontecer e que muito pior pode estar para vir.
Nós não estamos preparados para tal mutação mas parece que o estará muito menos o coberto vegetal, mesmo as árvores. Tudo e todos estamos a sofrer as consequências da nossa leviandade.
A irresponsabilidade é dos que da economia fazem uma arma da sua ganância e de luta. A insensatez é dos que querem viver no mais imediato e aparente bem-estar, sem cuidar de saber como, nem à custa do quê e de quem.
Comprometemos o futuro de tudo e de todos com as nossas desmedidas ambições, a nossa suprema inveja de beneficiarmos de todas as conquistas científicas e tecnológicas que não estaria nos desígnios do Universo virem a cair na posse de seres tão perversos como os humanos.
Para sobreviver não temos que regressar à idade da pedra mas temos decerto de fazer concessões ao realismo em detrimento da nossa ânsia de avançar às cegas num caminho cheio de armadilhas. Em particular a ciência tem que ter em conta a irreversibilidade ou não de todos os processos de fabrico.
Tudo se desmoronará se não protegermos o nosso escudo atmosférico. Aquilo a que nunca demos importância, o ar, porque o julgávamos imenso, necessita de ser tratado com delicadeza para lhe não retirarmos as propriedades que a sua composição permitiu que nós chegássemos até hoje sem grandes sobressaltos.

sexta-feira, 2 de Novembro de 2007

Quem preserva a velha aldeia na sua dimensão humana?

Sendo das aves que passa bastante tempo no Largo de Camões, no intervalo dos seus afazeres piscícolas nas mansas águas do Lima, facilmente a garça seria levado a ver o concelho de Ponte de Lima por esse óculo estreito.
Na realidade ela não me transmite esse mal que afecta tantos. A pé, de bicicleta, agora de carro, sempre fez as minhas incursões ao campo, à aldeia. Sempre encontrei aldeões, homens que gostam da sua terra, que adequaram o seu modo de viver e de ser à realidade local, que estão prontos a partilhar com os vilões uns momentos de conversa, de aprendizagem mútua, de convívio.
Quando há festa todos são bem recebidos, seja num bosque, no alto dum monte, nas margens duma ribeira. A festa acontece, a conversa também, ninguém viola o estado de espírito do outro, quem não vive no lugar respeita quem se sente bem integrado num meio que durante séculos foi quase imutável, mas criam-se laços..
Sabemos quanto a terra nos tem fugido debaixo dos pés, quanto as coisas tem mudado, quanta desertificação ocorreu, quanto novos afazeres mais lucrativos fizeram desviar a gente, quanta técnica inovadora contribuiu para o abandono dos antigos ritmos e práticas!
A aldeia perdeu o velho espírito aldeão, é invadida por citadinos que se isolam, vivem lá uns dias mas num mundo aparte, não criam laços de vivência, de cumplicidade, muito menos de amizade. Não se vive com humildade e o espírito do lugar não é respeitado pela arrogância, pela ostentação de um poder aqui sem cabimento.
Ninguém é dono exclusivo dum lugar, dum modo de vida, dum passado. Mas esses inocentes que tentam reinventar paraísos que, é suposto, tenham perdido, antes deviam comprar terras e construir eles os seus lugares, as suas aldeias, e aí nada havia a opor.
São os vilões, mas principalmente os citadinos, que os demandam, invadem, mas não se integram nos lugares existentes, desvirtuam a arquitectura, diluem as suas especificidades, pulverizam e fazem evaporar o seu particular espírito convivencial.E quanto ao seu contributo para a actividade económica local: até o arroz e os jornais trazem na mala do carro. Quantos lêem o A.M.?

sexta-feira, 26 de Outubro de 2007

A cultura como arma de arremesso ou forma de estar e interrogar

Uma conversa de base cultural é louvável. A conversa sobre a cultura não leva a lado nenhum. Primeiro porque cada qual, mesmo sem a utilizar em conversa, terá as suas razões para se convencer que a possui em quantidade suficiente para dar e vender.
Depois porque, se há um entendimento generalizado sobre o que é isso de cultura, não há uma abertura cultural que permita que os seus agentes vejam para além do umbigo. Os “homens de cultura” aceitam quaisquer conceitos que lhes sirvam, sem grandes contestações e sem necessidade de grandes interrogações.
Estas, derivadas imediatas das dúvidas, ficam para os filósofos. Quando nem saem da perspectiva da dúvida, ficam para os religiosos, que se martirizam para aplacar as suas. O dito “homem de cultura” não navega nas águas dos filósofos, que pôr o espírito a trabalhar é algo cansativo e de resultados imprevisíveis. Nem nas do religioso, a não ser por ingénua impostura.
Precisa de manter incólume o seu casulo e constrói justificações para êxitos e fracassos. Os amigos encarregar-se-ão do resto, de pôr as trombetas a tocar a favor de quem tão sabiamente percorreu solitários caminhos que o levaram a ter uma auréola inatacável.
Pelas citações que faz, procura só o que possa avalizar a sua postura perante a vida, o homem e o mundo. Armazena muita fraseologia, que a há para todos os gostos, mas, como só procura bodes expiatórios para os seus males, não vai dar quaisquer contributos à sabedoria universal.
Todos aprendemos a não nos deixarmos enganar, que, para construir o nosso caminho, a melhor solução é armadilhar o caminho dos outros. Poucos o não fazem. Quem não privilegia as suas amizades e cumplicidades, mesmo sabendo que é intelectualmente desonesto? Estas coisas são das primeiras que se aprendem.
É a certeza de que há mais do que esta “cultura”, que nos leva a entrar nesta conversa sobre cultura. A falsidade, a duplicidade pessoal, o clubismo não farão sozinhos o seu caminho. Toda a “cultura” que suporta a mais sórdida aleivosia só pode ser de quem se fecha em si próprio e vive de fantasias.

sexta-feira, 19 de Outubro de 2007

Um bom exemplo para alargar horizontes

À falta de outra utilidade, o Parque Industrial da Gemieira virou local de feira e festa do artesanato e das colheitas. Se pensam que vou criticar desenganem-se: é uma boa iniciativa e tomara qualquer outra freguesia ter um espaço assim para promover as suas actividades, a cargo como é moda de associações culturais.
Aliás aquela ocorrência, não vá descambar para mais uma feira de trapos e sapatos, não desvirtuou o espaço e até leva a que muita gente, que doutra maneira lá não iria, poder ver as possibilidades e o estado lastimável em que vai ficando por falta de ocupação. Nos jardins de uma fábrica que nunca arrancou em vez de flores há mato.
A este parque falta ocupação, mas o que falta em muitas aldeias deste concelho centralista não são mais parques industriais, o que seria insensato, mas espaços desafogados da natureza dos seus arruamentos que permitam realizações festivas, mas não só, sejam locais que possam polarizar muitas iniciativas e constituir o embrião de um centro cívico.
Na maioria do concelho praticamente nada foi feito desde os velhos largos de Freixo e de S. Martinho, este o único com um novo anexo. Até em Refoios, com um pólo universitário, o que existe está atrofiado. Mesmo Arcoselo, hoje Vila tão perto da sua madrasta é um labirinto que não abre horizontes, nem promove o progresso.
Em todo o concelho só encontramos quelhas, ruelas e quingostas, caminhos atrofiados por valados, silvados e muros a cair. A única preocupação por esse concelho além foi asfaltar o caminho para a casa de cada um, colocar um poste de iluminação à porta, nem que a caixa do correio fique no adro da Igreja.
Não é possível por uma auto-estrada à porta de cada um, nem as pessoas querem. Mas é imperioso rasgar, alargar, não estar preso a interesses mesquinhos, imediatos, que as pessoas só lentamente se vão apercebendo da importância, da valorização que se consegue com bons acessos. Já vamos estando longe dos tempos em que as pessoas morriam só por saber que iam ficar privadas de um metro de terra, nem que ele fosse pago a peso de ouro.

sexta-feira, 12 de Outubro de 2007

Em vez de barreira um acesso

A Câmara Municipal de Ponte de Lima colocou como hipótese a instalação de uma barreira de pedra no paredão que suporta o Largo de Camões e o Largo da Feira, destinada a proporcionar maior segurança a quem por ali passeia.
O paredão é uma construção com setenta e tal anos que se destinou a criar aqueles largos a um nível a que as cheias do rio só esporadicamente chegariam. Para isso foi necessário soterrar o 1º andar dos edifícios.
Esta solução não seria adoptada no Passeio Marginal, tendo sido construída uma rampa em frente à Caixa Geral de Depósitos de hoje para fazer a ligação com a parte que subiu. Também dois arcos da ponte medieval foram soterrados.
Qualquer alteração que agora se pretenda fazer deve ter em consideração a situação anterior e de qualquer maneira caminhar no sentido da sua possível reposição. Tudo seria fácil se aquela passagem sobre estes dois arcos da ponte não fosse a única entre as duas partes da Vila.
Uma maneira de aligeirar o impacto visual daquele paredão para quem vem de Além da Ponte era construir em sua substituição uma rampa/escadaria que permitiria um acesso fácil ao rio e resolveria os problemas de segurança que hoje existem.
Além disto esta solução desanuviaria a paisagem para quem está a um nível superior, permitiria que, retirando também o estacionamento como se pretende, das esplanadas do Largo de Camões se visualizasse a outra margem do rio, que não ele próprio.
Desde que o Passeio Marginal está a um nível inferior e àquela frente da Vila não se pode regatear a beleza, porque não fazer uma transição mais suave entre as praças laterais à ponte e o areal, maugrado faltar a estruturação deste?
Não sendo para trânsito não se justifica uma rampa, antes uma escadaria que permitiria a criação de uma espécie de anfiteatro, vantajoso para muitos dos espectáculos que naquela zona é costume serem feitos.

quinta-feira, 4 de Outubro de 2007

Sem vinho de que nos serve agora a terra?

As vindimas atingiram o auge esta semana. A actividade em que se inserem, a agricultura, está em nítido declínio. A pequena produção deste ano que seria há uns anos uma catástrofe passa hoje quase despercebida e é entendida como a possível tábua de salvação daqueles que persistem em que lhe atribuir algum valor.
Efectivamente espera-se um resultado de tal modo negativo da produção vinícola do verde, que aqueles que por sorte ou arte tiverem uma produção satisfatória verão os seus rendimentos subir de forma que se tornará compensatória.
O sector estava à espera de uma certa racionalização, mas esta maneira tão brutal de intervenção trará mais problemas do que aqueles que resolve, se é que resolve algum dos principais. Só uma profunda reformulação da vinha, com o corte da vinha em zonas impróprias e uma cuidadosa selecção de castas resolverá o problema de fundo: o excesso de produção e a falta de qualidade.
Com o regime de propriedade prevalecente na região do vinho verde, reconheça-se vantajoso porque faculta a quase toda a gente o acesso a ela, para que as pessoas desistam de produzir vinho sem qualidade só com a alteração dos hábitos de consumo próprios e pelas novas exigências da clientela disponível.
Com a diminuição do consumo de vinho que mesmo nos meios rurais passou de elemento importante da alimentação para acompanhamento perfeitamente substituível, muita gente passou a pensar ser razoável não ter uma produção própria e comprar vinhos comercializados para melhor satisfazer o seu gosto.
No fundo esta mudança insere-se numa séria de mudanças que se vêm operando nos últimos trinta anos e têm contribuído para alterar hábitos, economias domésticas, paisagens. A vinha será uma das últimas resistências que, ao se desmoronarem, alterarão a nossa ligação à terra e a nossa maneira de ver o mundo.
Para o bem e para o mal. Ou, se relativizarmos as coisas, para uma diferente inserção do homem destas paragens no mundo.

sexta-feira, 28 de Setembro de 2007

Porquê tanta pedra, porquê?

Entre a entrada da ponte medieval e a Casa Melo, com as suas revista e jornais, jazem quatro pedregulhos devidamente trabalhados, presumo que à espera que a nossa opinião pública se prenuncie sobre o seu efeito estético e de segurança naquele passeio marginal, nosso miradouro para o mundo.
Claro que gostar gostava de um gradeamento em ferro, suportado por pedras à maneira do que está feito no mercado, de modo a diminuir o impacto visual. Mas como a Câmara é “pobre” e esta solução à base de granito se insere noutras opções igualmente pesadas e é mais barata, pronunciemo-nos.
Estão lá pedras de dois formatos diferentes, um mais pesado que outro. Um dos modelos é constituído por blocos 80x40x50 cm, suficientemente fortes para suster as arremetidas de qualquer vaca das cordas, mas inestéticas quanto baste.
O outro dos modelos é em corte transversal um losango com uma base maior de 80 cm e uma menor de 65 cm e com a mesma largura de 40 cm. Cada bloco mantém a mesma altura de 50 cm, pelo que o seu peso é menor, e o seu efeito é esteticamente menos agressivo.
Mas o segundo modelo poderia ser melhorado se a sua largura fosse reduzida para 30 cm, fosse colocado a facear o parte exterior do muro, não permitindo malabarismos no espaço que sobra do parapeito agora existente. Isto faria ainda que no seu interior sobrassem 35 cm para passeio ou porque não para assento.
Já os próprios blocos não deveriam servir para este efeito pelo que, e até para compensar a diminuição de peso, por efeito da menor largura, poderiam ter mais altura, talvez 60 cm, para os tornar mais inacessíveis e ninguém se vá neles sentar.
Formariam assim uma barreira ainda mais alta, mas não serão também um obstáculo as pessoas que lá se vão sentar em cima dos propostos 50 cm? Bem, bem ficava como está, mas são respeitáveis os temores de quem não se sente seguro ao ali passar, em especial com filhos pequenos.

sexta-feira, 21 de Setembro de 2007

A publicidade, o desleixo e a fome nas Feiras Novas

Acabadas as Feiras Novas há que fazer um balanço, ponto a ponto que, balanços globais, aparentemente mais apropriados, também não deixam de ser feitos partindo de uma perspectiva particular, a que se dá mais realce.
Gostei do desfile taurófilo. Posso mesmo dizer que me surpreendeu a qualidade dos carros alegóricos. Mas como o não queria só para mim, teve de criticável acabar muito cedo, quando alguns ainda estariam a almoçar e muitos não tinham chegado.
Teria sido apropriado um outro trajecto que permitisse levar toureiros, forcados e bandarilheiros à praça de touros e o desfile se pudesse prolongar por mais tempo de modo a ser visível por mais gente. Não é nossa tradição fazer cortejos tão cedo.
O cortejo etnográfico perde qualidade de ano para ano, correndo o risco de se tornar um desfile publicitário, misturando coisas tão díspares como jogadores de futebol, de golfe e do pau. Eu sei quem merecia levar uma paulada.
Teve coisas quase perfeitas, é certo, como o malhar do centeio ou do feijão, com os figurantes vestidos quase a rigor. Será sempre de realçar a disponibilidade para desfilar em fato de folclore ou de qualquer forma apeada que grupos sentados em anfiteatros montados em camionetas não são o mais correcto.
Um estanca rios estava um brinco e os velhos moleiros estavam um brincão. Mas temos que pôr mais esmero num cortejo, ocupando a hora nobre e por estar copiado por tudo que é festa e romaria, se tem que realçar pela excelência. Aquilo que suscita uns risos leves não chega para fazer a festa.
Têm se ser chamado a colaborar o sector da restauração, que por mais razões de queixa que tenha dos despropósitos da clientela, dos excessos cometidos, da falta de pessoal para o trabalho, do custo da higiene, tem algumas mas não todas as desculpas para fechar.

sexta-feira, 14 de Setembro de 2007

Espaço de festa e espaço de feira

O ciclo das festas está a chegar ao fim e as Feiras Novas são o ponto mais alto, o simultâneo culminar e coroar de cada fase anual.
Por isto se compreende o afluxo desmesurado de pessoas para ajudar à festa, para participar na feira. Espera-se depois a enchente de gente que há-de dar sentido a todo este aparato.
É bom que usufruamos da festa com toda a inocência de que sejamos capazes. Isto é, sem levar em conta os possíveis efeitos nefastos que um acontecimento destes possa comportar, sem sentimentos de culpa de qualquer espécie.
Mas é bom que se vejam e se não ignorem os muitos interesses em jogo, a quantidade de indivíduos que vêm a festa essencialmente pelo seu lado económico e que na sua avidez podem contribuir para a estragar.
Cada vez mais quem organiza a festa é chamado a ter uma intervenção que lhe retira muita da espontaneidade. Assim se perde muito do carácter genuíno de vários dos componentes da festa.
Mas a realidade é que estas Feiras Novas que agora temos já são em muitos aspectos uma festa nova. Em primeiro lugar pela sua dimensão. As Feiras Novas de hoje não têm neste aspecto nada a ver com as festas de há cinquenta anos.
A verdade é que o espaço, outrora suficiente, quase permitindo uma auto-organização, é agora manifestamente diminuta para tanto pretendente a participar na festa e na feira.
Conciliar festa e feira é o grande desafio para quem dirige este evento. Se a festa apoia a feira e a feira apoia a festa, não as podemos separar, mas temos de ir retirando uma certa promiscuidade que nos faz esquecer o interesse maior que é a festa.
O problema coloca-se na primazia a dar a cada aspecto da questão, na distribuição no espaço. A vontade dos comerciantes é colocar os seus produtos no melhor sítio, que é à frente dos olhos de quem passeia. Mas para passear é necessário que nos deixem.
Corre-se o risco de as pessoas ficarem sem espaço para fazer a sua própria festa.

sexta-feira, 7 de Setembro de 2007

Garça vítima de bárbara agressão

Foi o Rio Lima que fez de Ponte de Lima aquilo que hoje é. Quase podemos dizer que, depois desta bênção, tudo o que podemos fazer é estragar. Quando a intervenção humana era limitadíssima o Rio era de uma beleza incomparável.
Perdoa-se-nos a Ponte, uma barreira para o Rio, um miradouro privilegiado para a limpidez da água, para o espectáculo dos variados peixes que abundavam, das sazonais lampreias, sáveis, tainhas e até salmões. Da água às margens as brancas areias.
Houve obras inevitáveis, outras talvez não, mas cá e na Espanha os interesses económicos falaram mais alto que as suas naturais consequências na ecologia e na estética do vale. A barragem de “Las Conchas”, inaugurada no longínquo ano de 1949, cortou pela primeira vez o Rio. Secaram-se pântanos e lagoas de “Antelas” na grande planície de “Ginzo de Límia”
Mais recentemente as barragens de Lindoso e Touvedo alteraram significativamente os caudais do Rio, em muitas situações para melhor, porque o tornaram menos agressivo no Inverno e mais bondoso no Verão, mas com inevitáveis efeitos negativos. Há menos arrastamento de inertes, menos fertilização dos campos marginais.
O grande crime terá sido a extracção desenfreada de areia com fortes arrastões que abriram perigosos poços onde não poucas pessoas morreram. As alterações no curso da água, a formação de ilhas, o estreitar das margens, deram origem a uma vegetação invasiva inexistente outrora.
Hoje com estranhas desculpas, querendo apresentar como natural aquilo que o não é, quando já vai sendo possível repor a antiga situação, evita-se qualquer reparação dos estragos que o homem foi acumulando. Onde deveria ressurgir a areia fina plantam-se carros, fazem-se fogueiras, acampa-se livremente.Nada é imutável, mas quem ama o Rio quer que ele volte ao antigo esplendor. Dizia há duas semanas: Se a garça se não põe a pau ainda a metem no churrasco. Parte disso já se confirmou: Estes dias os caçadores deram-lhe um tiro e partiram-lhe uma asa.

sexta-feira, 31 de Agosto de 2007

A selva de S. Gonçalo

Há um fenómeno que se desenvolve há poucos anos em Ponte de Lima mas que está suficientemente estudado há muito. Refiro-me ao pousio social a que invariavelmente são submetidos os terrenos agrícolas que se querem converter em zona de construção.
Durante séculos a Vila de Ponte de Lima esteve confinada às suas muralhas, só subiu temerosamente a Avenida António Feijó no começo do séc. XX e só se expandiu do mesmo jeito para a Graciosa no pós 25 de Abril. Mesmo do lado de Além da Ponte esteve sempre limitada a duas ruas.
Só nas duas últimas décadas se deu a expansão, nem sempre bem norteada, a que continuamos a assistir. Normalmente enquanto se não constrói os terrenos são deixados ao abandono para desafectação da área ao serviço agrícola e para aguardar a valorização que a viabilidade da construção implica.
Por vezes criam-se impasses, tudo dependendo muitas dessas vezes das pessoas envolvidas, dos interesses em jogo. Os terrenos de S. Gonçalo, no pós 25 de Abril reservados a zona industrial, são agora, e bem, área a edificar. O seu valor é imenso.
Os interesse em jogo são elevados e entretanto deixou-se crescer os silvados e as cobras que não desvalorizam os terrenos. O que podia ser uma zona minimamente estruturada que desse beleza à paisagem é um depósito de sucatas, lixos e dejectos. Como muitos mealheiros quanto mais sujo melhor.
No meio daquela imundice está o S. Gonçalo, cuja credibilidade se desvanece. Até os namorados já lá não vão com medo do isolamento do local. Mesmo assim ainda é o oásis que resta cercado pela agressividade de quem só antevê o quanto aquilo vai render.
Lugar com uma exposição privilegiada em relação ao rio e ao sol, seria a zona mais nobre de Ponte de Lima para quem tivesse veleidades de fazer um projecto de qualidade e com futuro. Mas porque vale muito, porque é um valor garantido, é que está como está, à espera da oportunidade de ouro.

sexta-feira, 24 de Agosto de 2007

No Rio corre a nossa alma

A altiva garça está exausta e teme já nada conseguir fazer para defender o seu rio. Antes desta invasão maciça de patos bravos até lhe chamavam a mãe do rio. Agora se não se põe a pau ainda a metem no churrasco.
Afinal não tínhamos a menor preparação para corresponder a esta pressão que os subúrbios do Porto já cá exercem. Com carros, autocarros, caravanas eles estão a um passo e somos literalmente invadidos ao domingo desde as primeiras horas da manhã.
É incontestável o seu direito na busca da água, do espaço aberto, luminoso, natural que não sendo nosso, está sob a administração de alguém. Culpados somos nós que não temos os mais elementares equipamentos, quaisquer meios além dos primários que a natureza nos deu e abrimos o que melhor que temos à conspurcação geral.
Ainda por cima estamos à mercê de todos os Chicos espertos que por cá se vão movimentando sem regras e sem freios. Uma licença obtida na Câmara para uma gelataria tradicional voltou snack-bar para todos os serviços com direito a espetar fortes cabos de aço nas indefesas árvores da Alameda S. João.
Esta permissividade faz daquela medida teatral, melhor diria televisiva, dos placares do lixo, areia para os olhos das pessoas. Parece que as receitas da Câmara tudo justificam. Desde que paguem, abusem à vontade. Este caso é só um dos muitos.
Como Daniel Campelo diz que não temos praias. Então temos um rio, areias, margens e não temos praias? Mas o presidente vira-lhes as costas. Umas vacas, uns cavalos, uma serôdia tendência para o ruralismo, dum espaço livre vai construindo umas ilhas para seu gáudio pessoal. Continuamos a partilhar o espaço com os animais.
O presidente já disse que gosta mais de animais do que de algumas pessoas. Esta antropofobia está infelizmente em expansão e não é nada cristã. É fácil deixar viver as pessoas na imundice e depois chamar-lhes sujos, bestas e outras coisas mais.

sexta-feira, 17 de Agosto de 2007

Que utilidade dos espaços de cargas e descargas?

A Vila de Ponte de Lima está enxameada de linhas, cruzes, zebras amarelas, que lhe dão uma colorido inédito, mas vá lá que o partido que usa tão bizarra cor ainda não protestou.
Quem protesta sou eu, que, presumo, numa sociedade civilizada bastasse uns singelos sinais para que todo a gente respeitasse as normas do Código das Estradas, aplicadas aqui ao nosso Centro Histórico.
Mas, a não ser assim, a ser necessário reforçar, duplicar ou até triplicar os sinais para que ninguém se desculpe por ser cegueta, então há que dar alguma utilidade à coisa.
São essencialmente locais de paragem para descargas, presumo que para as pesadas, que para as ligeiras ninguém as respeita. Na verdade aquilo que é pesado não raro se leva com um carrinho de mão, o que é leve leva-se sentadinho num carro a cavalos de força.
Nas ruas reservadas a transito pedonal os carros deambulam sem qualquer controlo. Cartas, caixotes, caixinhas, recados, até a encomenda da mulher, servem de pretexto para subir a rampa e atravessar a zona. Dir-me-ão: a gente é pouca, o comércio é fraco!
Este corrupio constante, sem ninguém perguntar ao que vai ou do que vem, não é abuso de compradores, que este, dada a crise e a dita falta de proximidade, seria desculpável, vá lá venham comprar que não precisam de levantar o rabiote, mas é praticado por comerciantes e fornecedores que atropelam todas as regras.
Os mais “espertos” deixam carrinhas umas horas com a caixa aberta, espalham mercadoria pelo meio da rua, que os clientes só compram se se lhes meter a mercadoria nas suas barbas. É a táctica dos bazares marroquinos ou da feira dos ciganos.
Os pisos são um leve capa de granito, as tampas partem com o peso duma mosca, o óleo espalha-se para aumentar as tonalidades, a salitre estende-se, os passeantes que se desviem, que façam zig-zag no labirinto dos privilegiados, supremos bens: Os carros.

sexta-feira, 10 de Agosto de 2007

A humanidade não se procura na aparência

Nenhuma pessoa pode ser rejeitada só porque teve um azar na vida, nasceu defeituosa ou não a achamos normal por padrões que só a nós responsabilizam.
Devemos antes verberar a situação em que as pessoas nessas condições se encontram e fazer o nosso possível para que elas tenham um aspecto mais consentâneo com padrões aceitáveis.
Ainda por cima essas pessoas se dedicam à pedinchice, que rejeitamos como desporto nacional, mas que em casos específicos teremos que aceitar, enquanto não houver melhor solução.
Sendo múltiplas as razões que levam as pessoas a esta postura, as soluções também o são. Não serão todas fáceis mas sem tentar é que nada se consegue e as pessoas mereciam-no.
Ao menos comecemos por ser condescendentes, aceitemos as múltiplas facetas da realidade, esta visão do “mal” nos seus efeitos, que as causas que estão a montante devemos repudiá-las.
Uns e outros não façamos das nossas particularidades, sejam elas menos agradáveis ou pelo contrário admiráveis, motivo de ostentação. A naturalidade, se adoptado por todos, é a melhor forma de ninguém ser hostilizado.
Há questões de urbanidade que levam a que ninguém, mesmo no seu espaço privado, possa ser desagradável. No espaço público há ainda regras sociais mais exigentes.
Pedinchar no espaço público sem abuso, sem ostentação das mazelas, sem insistências desabridas, sem destabilizar o ambiente, sem agressividade, está nos nossos hábitos e é uma manifestação de que muita coisa está mal e não deve ser escondida.
Por isso abomino as atitudes de muita gente “bem” que hostiliza um conhecido conterrâneo, que antes devia ser mais apoiado e incentivado a ter um comportamento menos agressivo e repetitivo.
Afinal a assistência social não pode ficar só por fazer relatórios e se ele muito bem sabe que o seu aspecto não é agradável porque não fazer as intervenções estéticas que lhe dêem mais amor-próprio.

sexta-feira, 3 de Agosto de 2007

A ganância e a desvergonha dos políticos

Não ponho em causa a legitimidade que assiste a qualquer pessoa de ambicionar ser político. Pelo contrário, era imperioso que houvesse concorrência séria e que não deixássemos aos outros a nossa representação por omissão.
A radical italiana Cicciolina pôs tudo o que tinha ao serviço desse objectivo e conseguiu-o. Outros, menos dotados de semelhantes atributos, utilizam outros meios que isto de dar nas vistas, pela facilidade e pouco custo, ainda parece ser o melhor método para um dia atingir tal desiderato.
Mas nós temos de considerar que os meios utilizados dirão muitos das razões e dos reais objectivos que as pessoas têm ao se inclinarem para a actividade política. As razões altruístas que todos invocam, embora neste aspecto não se possam meter todos no mesmo saco, não é causa a acentuar demasiado.
O altruísmo aconselharia que também se não desse tanto relevo ao desejo de reconhecimento social que, sendo legítimo, será aconselhável ser concedido, mas nunca pode ser visto como obrigatório. Quem não aceitar isto tem sempre uma porta de saída, que na política ninguém se pode considerar imprescindível, embora ninguém goste de ser empurrado porta fora.
Tudo deve ser claro para que não hajam participações que fiquem caras à sociedade. Porque isto de dar reconhecimento social a quem já recebe outras recompensas, e muitas não são pequenas, parece-me exagerado.
Há pessoas que não querem outra coisa mas andam sempre a dizer que não têm qualquer satisfação pessoal em serem políticos. Invocam que todos são criticados, sejam ou não correctos na sua forma de actuar. Então defendem que as más vontades só se alimentarão com compensações, mais compensações. Além de gananciosos são desavergonhados.

sexta-feira, 27 de Julho de 2007

Logo vêm aí os bares rolantes com o sarrabulho quentinho

Em princípio pensei que seria uma campanha publicitária, alguma nova estratégia de promoção do comércio local, enfim haveria inovação e iniciativa. Mas há destes lapsos, faltou-me um pormenor, era domingo e o comércio está quase todo fechado.
Carros, carrinhas, carros publicitários, atrelados, painéis estrategicamente distribuídos por onde anda gente, que são esses que se querem pescar. Casas de cosméticos, de bicicletas, comida enlatada, soirées para a terceira idade, tudo se publicita.
Estamos em Ponte de Lima, no terreal, nos passeios, no Largo de Camões, salão nobre da urbe. A inundação dominical, maugrado o tempo, cá está, os restaurantes estão cheios, mas afinal, estando o restante comércio fechado, para que serve esta publicidade. Será que esta gente vem cá à semana comprar algo?
Claro que é gente de trabalho e só tem tempo para ir aos hiper, super e quejandos que por todo o lado vão proliferando, quase à porta de cada um. Se ainda ao menos estivessem abertos ao domingo os estabelecimentos propagandeados! Até dava emprego a alguém, as ruas tinham outra cor, mas cada um sabe das suas.
Mesmo assim há outros métodos publicitários mais eficazes do que vir no sábado à procura de um lugar para o mamarracho. Deixar um reboque em pleno Largo, uma carrinha quinze dias estacionada no mesmo local, um reboque abandonado, um veiculo cheio de números de telemóvel, parece uma saloiada do mais primário que há. E depois querem ter sucesso.
O S. Miguel dos restaurantes é o domingo, se outros ramos do comércio querem aproveitar a onda saltem para cima dela, mas armados com os apetrechos necessários. Na sua falta é o comércio ambulante que vai fazendo o seu caminho, qualquer dia vêm bares rolantes vender o sarrabulho quentinho.

sexta-feira, 20 de Julho de 2007

Vai ser necessário fazer uns cursos para que se não perca a broa artesanal

Há partidos em que se defende que há assuntos que, por razões conspirativas ou de oportunidade, não devem ser discutidos cá fora, mas sim dentro das suas estruturas. Também há quem tenha as mesmas ideias em relação à sociedade em que vivemos.
Principalmente em relação àquilo que nos pode deixar ficar mal há quem invoque o “dever” de abafar para que esse efeito não seja atingido. Mas se queremos que nada seja feito é mandar recados privados a quem se preocupa só com o “faz de conta”.
A imprensa só executa convenientemente a sua missão se puser a “boca no trombone” e colocar as questões frontalmente sem cuidar dessas sensibilidades totalitárias. Isto vem a propósito de pouco, dirão, mas é por aqui que se revela a mentalidade.
Os feirões de domingo no Largo de Camões com um rancho folclórico são iniciativas simpáticas em que eu participo com gosto. A Associação de Folclore terá incentivado todos os ranchos a fazerem broa caseira para dar relevo às nossas tradições.
Se alguns a fazem a preceito, a maioria fazem-na de modo constrangedor: A broa fica ensebada. A má imagem é evidente e mesmo que seja só para os de Gondomar eu fico chateado na mesma. Não vão eles gozar connosco.
Haverá aqueles que dirão, à boa maneira totalitária, que, se se não falasse, isto passava despercebido. Esta mesquinhez só será abandonada se impusermos outras regras e outro estilo na maneira de abordarmos estes assuntos.
Porque não a Associação de Folclore fazer uns cursos para o efeito de habilitar as pessoas a manter uma tradição que se terá rompido na geração anterior. Já só os avós sabem disto, mas sempre haverá quem tenha brio em fazer uma broa que até devia ser certificada, que nós não temos só sarrabulho.
Amante da broa, broeiro quanto baste, aqui já com privacidade, estou disposto a indicar aos interessados algumas monitoras.

sexta-feira, 13 de Julho de 2007

A política não justifica tudo e os rótulos ainda menos

Quando se quer desvalorizar as opiniões de alguém diz-se que elas têm base política, não passam de politiquices. Mas se queremos fazer uma leitura correcta da opinião de outrem devemos aferir da medida em que ela comporta alguma sabedoria.
O conhecimento da posição política de uma pessoa pode ser tão importante como dos aspectos pessoais, sociais ou intelectuais. Mas isso vale para os dois lados, o de quem comenta e o daqueles que são eventualmente comentados.
É certo que tudo evolui e não se podem colocar rótulos definitivos. Há mesmo quem hipocritamente diga que não é nada daquilo que lhe atribuem, só o é enquanto isso lhe interessa. O coração está num lado, a carteira noutra.
Mas eu não vou por este caminho, nem faço sentenças morais baseadas nestes aspectos relacionados com o comportamento de cada um. As coisas valem politicamente o que valem quando se trata de política, mas valem socialmente o que valem quando se trata do relacionamento social.
E se eu me fosse pronunciar sobre aspectos pessoais fá-lo-ia em termos tais que não haveriam dúvidas. Mas eu não sou juiz embora saiba que há muito cretino empoleirado, mas valha-nos a verdade é que o deixam.
Pessoalmente até admito muito mais que me chamem idiota do que pretendam que as minhas opiniões se devem tão só a razões políticas. Até gostarei que quem entender que estou desfasado da realidade e só vomito anacronismos me chame à atenção.
A política não justifica tudo, nem tudo serve para justificar as posições políticas de cada um de nós. Se este espírito maximalista ainda existe é porque é atávico e renasce continuamente, século após século, regime após regime, líder após líder.
Mas eu não estou cá para fazer favores a líderes ou candidatos a tais. O meu pensamento é incómodo mas custou-me muito tempo e sacrifício, tenho mais do que me preocupar do que com as cócegas que ele eventualmente possa fazer a alguém.

sexta-feira, 6 de Julho de 2007

Líder é líder ... mas não serve para tudo

Não é pelo domínio em que exercemos a nossa intervenção social que podemos determinar a qualidade da nossa acção.
A ideia tradicional é que havia um crescendo, uma valorização progressiva que levava as pessoas a começar pelos degraus mais baixos de participação até atingirem o topo e transitar depois para outro nível de intervenção.
Começava-se pelo associativismo recreativo, passava-se ao empresarial, ao assistencial, às autarquias e quiçá ao Parlamento. São resquícios do corporativismo salazarista porque os valores em causa são bem diferentes. Pela mesma razão os ensinamentos e conhecimentos necessários também não são iguais.
Houve porém uma fase em que se passou a pensar que líder era líder e o líder servia para tudo, estava bem em qualquer lugar. O que era necessário era ter uns capangas, uns aguadeiros para serem dirigidos e calar. O líder lá estava para pensar e dar ordens.
Criavam-se desta maneira ídolos, pessoas que se desejavam para qualquer lugar. Ah! Se fulano cá estivesse, tiraria ouro donde os outros só conseguem extrair escória.
Quando se referendou a regionalização não faltavam desses ídolos que afinal na sua maioria se veio a verificar terem pés de barro. Também em Ponte de Lima os há. O que fazem é esperar que os que estão no pedestal caiam e acham que estar em associações é fazer curriculum para o futuro.
Temos de ser mais exigentes para com aqueles que lideram as associações da nossa terra e porque não as da região e do país, de modo a fazerem o balanço social da sua actividade.
Balanço, não só para os sócios, mas para toda a comunidade, à qual afinal eles vão buscar a grande maioria dos recursos que utilizam. Não é necessário ter coragem é uma obrigação.

sexta-feira, 29 de Junho de 2007

Os mixordeiros e o direito a uma imagem límpida

Em boa verdade nunca vi nenhum Limiano que quisesse roubar a Viana do Castelo aquele título que esta se atribui de Princesa do Lima. Os Vianenses gostam, até lhe fica bem e a nós não nos faz mal. É um nome feminino, delicado e as nossas mais agrestes terras do interior terão outros atributos igualmente louváveis.
Quando vi um placard na Rotunda de S. Gonçalo a reclamar aquela designação fiquei chocado, quem teria o atrevimento de vir agora apropriar-se de coisa alheia. Não teremos nós a criatividade para não andar a copiar os outros? Sosseguei porém quando vi que havia uma fotografia de um copo de cerveja com referência a uma determinada marca. É esta cerveja a pretensa Princesa.
Os criativos da publicidade têm por vezes destes ideias mirabolantes. Querem associar o seu banal produto a um outro de qualidade e fazem-no sem olhar a que os outros também têm direito à imagem e a que ela não seja associada a qualquer coisa de baixo valor. A publicidade agressiva não pode chegar a tanto.
Ainda por cima a ousadia desta marca cervejeira que faz as suas mistelas com água do Paiva ou do Douro e sem pitada cá da nossa, vai ao ponto de vir cá fazer concorrência ao nosso saboroso néctar de uva, esse merecedor de todos os títulos deste género e de referências em todas as pantalhas e esquinas.
Já nos não chegava a saga do queijo Limiano que, tendo aqui o seu berço, é agora um filho pródigo que nos foi retirado de modo menos correcto. Valha-nos perpetuar o nosso nome e espalhá-lo por esse mundo além. Como muitos emigrantes teve o seu parto em Ponte de Lima mas não lhe pudemos dar o preciso alimento.
Essa água choldra não tem Pátria, faz-se desde que haja ingredientes e um rio perto, mas se se quer ligar a algum lugar que seja ao da sua origem. A Galdéria não venha cá chamar pai ao Lima, vá chamar pai a outro, sua Princesa do Douro (ou do Paiva).

sexta-feira, 22 de Junho de 2007

Como implementar uma economia ecológica

A nossa preocupação ecológica já vem de há muito, mas só nas últimas décadas assumiu carácter mais sério com a avaliação e o rigor científico que se colocou na sua análise. Falava-se em poluições, mas só as alterações climáticas fizeram suar o sinal de alarme. O ambiente está enfim no domínio das decisões políticas.
Por mais passos que se dêem, e agora o G8 deu um pequeno passo, não podemos dormir descansados. O problema tem de ser visto na sua verdadeira dimensão, com a extrema gravidade que deriva de estar em causa o futuro da humanidade.
Nós indignamo-nos com a leviandade com que se continua a tratar estas questões, com a indiferença que a maioria de nós manifesta em relação a elas. Vai-se pretendendo sensibilizar as crianças, mas são tantos os maus exemplos à sua volta que é de duvidar da sua eficácia, se não envolver os mais velhos.
Toda a sociedade está envolvido num consumismo glutão que contorna a realidade e cria a ilusão de que os cientistas resolverão todos os problemas e os políticos actuarão na hora exacta em que já mais nada houver para fazer.
A força determinante na sociedade é a economia. Ainda por cima é uma força anestesiadora que actua selectivamente sobre o nosso cérebro. E está hoje interessada em que se queime todo o petróleo que existe, que depois se acabe com o gás natural, que se produza cada vez mais e se polua cada vez pior.
Nós próprios, poderosas forças económicas do lado dos gastadores de bens e produtos directa ou indirectamente poluidores, contribuímos sobremaneira, com a irracionalidade do nosso comportamento, para o agravar da situação. Temos de deixar de acreditar na força depuradora da natureza.Consumimos carne de vacas altamente poluidoras, gastamos gasolina, plásticos, óleos, metais, acima de tudo destruímos energia não renovável ou obtida por processos poluentes e cujo consumo mais poluição provoca. Não invocamos o fundamentalismo mas perguntamos: Onde andará o bom senso?

sexta-feira, 15 de Junho de 2007

O que nos falta daquilo que os Galegos têm?

O aumento significativo do PIB Galego nos últimos tempos dá azo a muitas e variadas interpretações, a favor desta ou daquela causa. Terá este facto a ver com a regionalização operada em Espanha, com a dinâmica nacional, com a estrutura activa, com a preparação do activo laboral, com o dinamismo empresarial, com a capacidade para atrair investimentos, com as condições naturais?
Normalmente a análise mais fácil é feita em termos comparativos e mediante conclusões rápidas do tipo: O nosso atraso deve-se ao que cá nos falta daqueles factores e que eles têm em quantidade adequada.
O certo é que a economia, se fosse assim tão simplista, qualquer merceeiro podia ser Ministro da dita pasta. Mas podemos dar de barato que todos aqueles factores têm a sua importância relativa e só a sua conjugação permite obter bons resultados.
Se as coisas não estão pior do lado de cá da fronteira, do Minho ao Douro, de Ponte de lima a Marco de Canaveses, é porque muito trabalhador de cá só lá encontra onde labutar e trás para cá algum daquele PIB lá gerado, mas, e ainda bem, nem todo lá distribuído.
É um pequeno quinhão mas já permite que se diga que em Ponte de Lima não há desemprego, porque os nossos têm de trabalhar e morrer na Galiza. E permite que se diga que o aumento daquele PIB não é assim tão linear, mas afinal também corresponde a um aumento da massa laboral.
De qualquer modo, se o produto do trabalho dos nossos deslocados fosse realizado do lado de cá, maior bolo cá ficaria e menos dependentes seríamos daqueles que para seu proveito nos vão fornecendo esse trabalho, porque são os donos dos meios.
Afinal o que nos falta para termos a atractividade da Galiza, principalmente se pensarmos que a Galiza partiu de um patamar semelhante ao nosso e foi durante séculos vítima dos mesmos atavismos que sempre nos trouxeram agarrados ao passado?

sexta-feira, 8 de Junho de 2007

Aquilo que ninguém lê mas fortalece a nossa identidade

Nunca foi de pensar que nos velhos reside toda a sabedoria. Pelo menos com esta generalização. Um mito que se criou é que os velhos teriam sempre algo a dizer na hora da morte. Se este mito foi criado com a ideia de que se respeitassem os velhos até à dita cuja, reconheço que a intenção até foi boa.
Porém, para provar isto, só conheço aquela história do J. M. Fonseca, grande empresário dos vinhos em Setúbal. Tendo já ensinado tudo o que havia para ensinar na arte de fazer vinho, resolveu à hora da maldita revelar o seu maior segredo, aquilo que os filhos não tinham precisado de saber até aí: Meus filhos têm de saber um grande segredo, há um vinho que se faz com uvas!
De resto os velhos sempre vão transmitindo a sua sabedoria ao longo da vida. De tal modo que os novos, não contando com qualquer herança extra na hora fatídica, colocam os pais onde eles menos incomodam, à espera da estaferma. Os novos não pensam que também seria melhor prepararem-se para virem a ser eles os velhos que no futuro os filhos tratarão da mesma maneira!
Está provado que não se pode ser velho, que os velhos são vistos como uns inoportunos e enfadonhos, pelo menos quando têm os bolsos vazios. Um velho é muito pouco respeitado e cada vez mais pobre. Além disso facilmente sisma: onde terá ele errado?
Resta ao velho assegurar o seu lugar dando à luz a história da sua vida, das vicissitudes por que passou. E o melhor é passá-la a escrito com o fito de a estruturar. Não servem choradinhos, traições, mentiras de que se achar vítima, mas os medos e inquietações por que terá passado.
Não tenham receio de que os filhos não venham a gostar, porque eles precisam de compreender, para se tornarem guardiães da herança familiar. Não falta quem, achando-se bem sucedido, dos vindouros faça vencidos, por isso não veneráveis. Veneram mais depressa um qualquer Chico Esperto.

sexta-feira, 1 de Junho de 2007

O estranho silêncio sobre o T.G.V.

O tema não tem sido abordado, não se têm manifestado preocupações, muito menos oposições ou apoios à passagem do TGV por terras limianas, o que já é entendido como certo por espanhóis e portugueses.
Podíamos ir mais longe e questionar a validade do projecto em si e andaríamos aí indefinidamente à volta da sua falência económica e da sua necessidade política.
Mas aqui manda quem pode e parece que estamos mais dependentes da vontade europeia e galega do que da nossa própria. São assuntos que, dizendo-nos respeito, nos ultrapassam.
Fiquemos pois tão só pelas implicações locais, porque nós só temos que ceder a passagem e desejar boa viagem. Por exemplo é garantido que paragem do TGV aqui não vai ter.
Mesmo não sendo um daqueles super rápidos, mesmo sendo a sua velocidade limitada, a sua eficácia exige poucos apeadeiros. O resto do trajecto que seja feito pelas normais estradas de Portugal.
Portanto entre o Porto e Vigo parará em Braga e já é bem bom, dizem. Nós cá vamos suportar todos os inconvenientes. E benefícios? Nenhum. Mas eles dirão que não têm culpa de estarmos aqui. E já não há coutadas, pelo menos quando isso lhes interessa.
São conhecidas as dificuldades provocadas pela deslocação do ar, o corte em dois do espaço circundante. Esta barreira torna-se intransponível para muitas espécies animais, mesmo para o homem. Esta barreira vai condicionar muito o futuro.
Só a irregularidade do solo, obrigando à construção de muitos viadutos e túneis, permite alguma circulação, nem tudo é mau. Mas se esta linha vai contribuir para o progresso, deveria haver muita gente a reclamá-la para si. Não é estranho?

sexta-feira, 25 de Maio de 2007

O falso padrão televisivo

A maior ilusão que nos foi criada é a televisão. Persegue-nos por todos os lados, sem que nós nos apercebamos disso, antes pelo contrário, nós temos a ilusão que passeamos pelo mundo.
A verdade é que isto talvez não fosse grave, não fora nos ausentarmos inadvertidamente do sítio em que nos encontramos. É tão grande a quantidade de outras aparências que ela nos cria que já dificilmente nos imaginamos como sendo só do nosso lugar.
Uma delas é a estarmos próximo de tudo, de repente parece ser tudo familiar, já nada estranhamos, tudo nos aparece pela casa dentro já devidamente tratado, editado como dizem, pronto a ser assimilado pela nossa inteligência televisiva.
É-nos criada a ilusão de que já sabemos de tudo, estamos aptos a discutir as questões mais complexas, seja qual for a sua natureza. Seria bom se a televisão nos despertasse para procurar saber mais através de outras vias, mas falta-nos tempo para isso.
Na realidade estamos cada vez mais afastados do que verdadeiramente interessa, com a atenção demasiado dispersa, sem benefício que se veja em termos de compreensão do mundo, de solidariedade para com os povos mais infelizes.
Descuramos os contactos com os que fisicamente nos estão próximos, os diálogos directos, que não sejam sem a intermediação dessa presença obsessiva dos projectores que só captam os contornos da realidade que se salientam pelos aspectos mais marcantes e excessivos, seja pela positiva ou negativa.
Temos que ser mais selectivos, escolher melhor os motivos de interesse que nos devem despertar mais a atenção, ler mais jornais e livros, utilizar a Internet com moderação, mas acima de tudo conversar mais, dialogar, procurar compreender os outros e criar os laços saudáveis que a televisão nos não ensina a tecer.

sexta-feira, 18 de Maio de 2007

A profunda crise da vitivinicultura limiana

A estrutura do território limiano assentou durante séculos essencialmente em quintas. Eram unidades auto suficientes que englobavam os melhores terrenos, os melhores bosques, as melhores nascentes, mesmo que fora do seu domínio e que ocupavam na sua maioria de quatro a doze hectares e excepcionalmente chegavam aos cinquenta.
Uma boa quinta dava para várias produções, para o regadio e para o sequeiro, para alimentar os animais de Verão e Inverno. Salvaguardados os aspectos sociais, esta visão tornou-se para o nosso espírito quase idílica.
A vinha contínua alastrou-se por tudo que é sítio e destruiu este equilíbrio assente na cultura promíscua. Hoje, com a crise no mercado do vinho verde muitas quintas ficaram ao abandono.
Este é o ano alfa de todas as catástrofes agrícolas. Muitos agricultores não aguentaram viver com créditos de dois anos por solver. Ao terceiro ano a corda rebentou.
Quem der uma volta pelo concelho vai ver um espectáculo degradante. Já não são só latadas, mas também os bardos que foram cortados ou ficaram sem poda a dar uvas para os pássaros. À espera de um subsídio para o seu corte pela raiz, talvez.
Mas também quintais de menor dimensão vão sofrendo o mesmo destino cruel. Com os donos a terem que trabalhar cada vez mais longe quem os há-de cultivar?A insistência em que a transferência da Adega Cooperativa resolveria o problema do nosso vinho verde parece irrealista.
Foram tantos os erros cometidos pelas gestões anteriores, é tão fácil cair, que, para subir, só com apostas mais especializadas, estruturas mais leves, vinhos de quintas com vinificação centralizada e aposta na reconquista dos mercados tradicionais.

sexta-feira, 11 de Maio de 2007

Continuará a haver Cavalos de Tróia?

Em Ponte de Lima quando se faz algo bem feito não se deixa cair o mérito na rua, toda a gente é ciosa de o guardar. Mas já, quanto ao que está mal, todos lavam as mãos, é invariavelmente obra dos outros, invariavelmente dos que não fazem nada.
Não sei como isto é possível mas já admito tudo. Há quem pretenda que o que existe há séculos foi construído ou desenterrado há poucos anos. Também ninguém quer falar do nosso verdadeiro passado como que haja vergonha dele.
Se a recuperação do Centro Histórico de Ponte de Lima jaz parada, a culpa é de alguém. Tarda a recuperação dos prédios mais avantajados e em estado de degradação avançada. Questões burocrático/legais? Dificuldades económicas?
Mesmo correndo o risco de ficar sem o meu lugar no Largo de Camões (o Zarolho da Paula) é imperioso que se faça algo. Os proprietários, os que herdaram ou comprarem com intuitos honestos deveriam ter facilidades e apoios. Dos especuladores não tenho eu pena, mas aqui o resultado é que deveria importar mais.
Para todos os efeitos interessava que fosse criado alojamento na zona histórica. De certo que escritórios também, eram precisos embora não haja empresas e mesmo estas os instalam cada vez mais junto aos locais de produção. E comércio especializado que o grossista não cabe aqui, deixá-lo para as rotundas.
Ponte de Lima tornou-se um concelho marginal desde que deixou de ter significado o intercâmbio com a Galiza. É necessário retomá-lo, integrando-nos no movimento de ligação transfronteiriça, mas não veja iniciativas, a não ser mandar para lá trabalhadores.
Manietado pela dinastia de Avis que conseguiu introduzir dentro das suas muralhas um cavalo de Tróia, Leonel de Lima. Irrelevante no próprio Minho, Ponte de Lima podia ter sido um concelho estandarte, tornou-se um concelho submisso. Por mais que alguns se queiram pôr em bicos de pé.

sexta-feira, 4 de Maio de 2007

Um emblema turístico para Ponte de Lima ou para o Minho?

Está em curso uma campanha de promoção turística do Algarve que assenta na palavra “Allgarve”. Com ela se pretende significar que o Algarve tem tudo o que é necessário em termos turísticos para os mais diversa clientela de diferentes idade, preferências e carteiras.
A promoção turística tem de assentar em termos simples, de preferência um só termo, uma marca, que diga tudo às pessoas. Neste caso pela própria natureza da palavra, uma sobreposição do “All” em inglês significando tudo, à nossa Algarve.
A Câmara de Ponte de Lima quer lançar uma marca “Ponte de Lima”, cujos méritos têm que ser analisados colocando-nos na posição daqueles que procuram um destino turístico sem possuir grandes referências, mas o querem para uma estadia mínima.
Ponte de Lima esteve ligado ao nascimento do turismo de habitação e derivados, mas com a expansão deste perderam-se muitas referências, além de que se destina a uma clientela muito específica e limitada por natureza.
Por mais que procuremos esticar o nosso património, edificado e natural, por mais valioso que ele seja, não é suficiente para justificar uma estadia prolongada e o turista só se engana uma vez.
Os eventos, Vaca, Feiras Novas, são de referência mas por natureza temporais. O sarrabulho, nas actuais circunstâncias, não é sequer um emblema de que nos devemos orgulhar.
O turismo de Ponte de Lima tem de estar englobado numa mais vasta estratégia promotora do Minho com as suas particularidades, tonalidades, paisagem, sabores, património, passado. Afinal daqui nasceu Portugal: Minho, o coração de Portugal.

sexta-feira, 27 de Abril de 2007

Quem teima em deitar poeira sobre Abril?

A Primavera não influencia somente a vida vegetativa. Os seres revitalizam-se, os ânimos rejuvenescem. Depois do descanso do Inverno, encontram-se novos motivos para gostar da vida, novas forças para levar de vencida o imobilismo desgastante.
Em 1974, após o choque petrolífero, o isolamento internacional, a recepção pelo Papa dos líderes dos movimentos de libertação das colónias, os militares pensaram que era a altura de mudar. O regime não podia chegar ao Verão, estava moribundo e deram-lhe o golpe de misericórdia a 25 de Abril.
Tão longe porém estávamos nós de ter um acordo mínimo sobre um caminho a seguir, sobre que princípios civilizacionais adoptar. Demorou o seu tempo o período de indefinição. Os acontecimentos internacionais foram entretanto contribuindo para o apaziguar das divergências e foram solidificando os pontos de convergência.
Pode-se dizer que depois de um golpe que apanhou todos de surpresa nunca se chegaria a um qualquer acordo, que todos os que já estavam no terreno procuraram tirar daí vantagens.
Mas, colocadas na super-estrutura as coisas numa certa ordem, muitos passos foram dados e actualmente a convivência está estabelecida dentro de parâmetros aceitáveis.
Mesmo assim muita gente está insatisfeita, foca a sua ira sobre os corruptos, os malabaristas, os oportunistas, os gananciosos. Há efectivamente na sociedade uma zona enevoada que custa a ganhar transparência.
O Bloco Central é o maior culpado, mas não só. Tarda a que certos protagonistas tenham vergonha e o poder judicial tenha eficácia. Enquanto isto acontece, melhor será pôr uma tarja negra sobre o 25 de Abril.

terça-feira, 24 de Abril de 2007

O sucesso deste sarrabulho não é o sucesso de Ponte de Lima

Cada pessoa já tem sucesso se conseguir atingir boa parte dos objectivos que fixou e vai continuamente fixando para a sua vida. No entanto há uma outra forma de avaliar o sucesso que não passa pelo grau de satisfação/insatisfação de cada um.
É o sucesso mediático, que normalmente obriga as pessoas a distorcer o seu percurso de vida, a concorrer para um espectáculo que não será o mais adequado ao equilíbrio da sua vida. O difícil é conciliar as duas formas de sucesso. Quando uma, a mais fácil, compensa a outra diz-se que a pessoa vendeu a alma ao diabo.
Um Concelho, uma Vila são organismos vivos que têm alma, a alma do lugar, inviolável e imanipulável. Também essa alma tem os seus motivos de satisfação e insatisfação.
O mediatismo faz com que a estas almas sejam assacados outros objectivos com que aparentemente se vai identificando. Na verdade a alma vai digerindo, digerindo, até chegar ao que é realmente intragável. Daí ao enjoo e ao vómito vai um passo.
Os dilemas destas almas são muitos. Na gastronomia passa por: Ou criar bízaros com alimentação própria, estabelecer uma linha de produção, definir um padrão de qualidade, optar por uma clientela mais exigente e que pague o cuidado; Ou por gastar suínos e sangue espanhóis, criados intensivamente e sem grandes primores, vendidos a preços de concorrência e optar por uma clientela massiva, disposta a comer “bem” e gastar pouco.A alma intangível do lugar por que lado estará? Por quem a quer mostrar mais purificada e bela, mas sem sucesso aparente ou por quem a quer manter escondida, sacrificando-a a uma aparência de sucesso, para não matar a galinha dos ovos de oiro? A alma pura ou a alma mediatizada? A verdadeira Alma sofre, tem o sucesso que lhe atribuem, mas nunca se deixará vender.

sexta-feira, 20 de Abril de 2007

Os bichos, as podas secas e os infestantes nas Lagoas de Bertiandos

Quando se vai a qualquer lado há hoje roteiros turísticos, culturais ou com outros fins para nos guiarem. Normalmente porque o tempo é escasso, tem de se aproveitar a experiência dos outros para utilizar o tempo da melhor maneira.
Comigo, se puder, troco as voltas e faço o meu caminho. Num outro dia assim fiz. Chegado à zona da Paisagem Protegida das Lagoas meti-me a fazer o percurso das tapadas a partir da entrada de Bertiandos. Aí se situa a ponte românica na confluência de dois ribeiros, com as pedras gastas por seculares rodados de carros
Às tantas chega-se a um passadiço e o primeiro percalço surge com uns bichinhos repelentes que se encobrem com espuma numa espécie de planta com folhas lisas, quase ovais e pouco dentadas.
Logo à frente depara-se com um grande corte na vegetação feito para a passagem de uma linha de alta tensão, perfeitamente desviável. As árvores e ramos cortados lá continuam.
Chegado ao Rio Estorãos, segui pela sua margem esquerda e vi os efeitos nefastos de uma intervenção que há anos fizeram com máquinas para limpar o Rio, não respeitando as suas margens e desestabilizando-as. Agora cai tudo para o Rio.
Como não gosto de voltar pelo mesmo caminho, segui, já sem grandes condições, mas de modo a ver ainda os restos de um portão que já lá existiu. Mas a seguir o pântano.
Consegui passar, com cuidado não fosse acordar alguma lontra, contornei, evitei tocar nos arbustos não fosse escarmentar alguma carriça ou felosa, até chegar ao passadiço e ao descanso.Se em tempos já aqui andaram vacas a pastar, seria mais apropriado preservar esse bucolismo, mas de verdade, é irrealista. Aproximar à realidade, acabar com exóticas e infestantes, trabalhar aquilo que ainda o possa ser, aí ainda há muito a fazer.

terça-feira, 17 de Abril de 2007

As nossa intimidades à vista de todos no Largo de Camões

Se alguém pensava em safar-se, estava enganado. Daniel Campelo tem para todos. Tem para os suburbanos, gentes sem alma e sem apego à terra em que vive, quanto mais à terra dos outros, que vão continuar a levar com a frontalidade do cartaz “Seja limpo ou vá-se embora”.
Mas também tem para nós, nós que julgávamos já ser uns burgueses, com mais alguma plasticina urbana do que eles. Também nós vamos levar para que não nos armemos em defensores de gente com que nos condoemos sem razão.
Se não servimos de exemplo pelo lado bom então vamos servir de exemplo pelo lado mau. Aprontem-se meus senhores que no dia 5 de Junho, Dia do Ambiente, vamos ver todas as nossas intimidades devassadas no Largo de Camões. Que o lixo diz muito daquilo que nós somos e estejamos preparados que Daniel Campelo disse que no lixo aparecem coisas inimagináveis.
Aceitemos o nosso papel de vilãos. Se somos maus, o nosso lixo é mau, mas a televisão não faltará a este grande espectáculo de lixo colorido e multi-aromático. E isso é a parte mais importante para nos tornar famosos por mais este feito relevante.
Não abusemos. Será melhor que o que de mais íntimo nós temos, aquilo que mais diz de nós seja da casa de banho seja da cozinha, o reservemos em casa para o deitarmos nos contentores no dia seguinte. Não se vá estragar o espectáculo.
E não deitem papéis comprometedores, do género dos pedidos de pagamento de facturas não pagas, das cartas escritas por algum namorado/a mais coscuvilheiro, nem muito menos a resposta que lhe tenha sida dada com tinta menos convencional.

sexta-feira, 13 de Abril de 2007

Fazem tanto barulho os Papagaios por um curso de Patos-Bravos que lhe não serviu para nada

Se o nosso Primeiro-Ministro quer pôr toda a gente com o décimo segundo ano de escolaridade, porquê tanta chinfrineira por ele ter uma licenciatura? São uns ingratos. Estou em crer que ninguém vai dizer que não e todos vão aceitar o diploma. Afinal mais um até dá jeito para lhe colocar uma moldura e a pôr lá em casa à beira da gravura do Santo da devoção de cada um.
Muita gente chega onde outros com mais canudos não chegam pelo que aprende ao labutar e pelo esforço próprio. Não está à espera da certidão para trabalhar. Não estou a falar na função pública porque aí impera a Lei do Canudo, mas a sociedade não é só este mundo que, por culpa dos seus dirigentes, apoiados nos políticos, é degradante e manipulado.
A formação não se procura hoje só na Universidade. Também a informação se pode buscar nos livros, nos jornais, na Internet e cada um selecciona-a ou pelas suas necessidades profissionais ou académicas. Dada a grande quantidade de informação existente é aí que a Universidade pode ter um grande papel na sua selecção.
À Universidade também poderá servir de júri, avaliar por critérios de rigor, validar e certificar as competências. Mas tem que ser menos uma criadora de “papagaios” e mais uma orientadora da formação e promotora da abertura de novos caminhos. Salvo algumas naturais excepções, não pode orientar a sua formação para o funcionalismo público. Não se pode comprar na Universidade o emprego de cada um.
Não haveria cursos mais adequados para José Sócrates certificar as suas competências senão a Construção Civil, o curso dos Patos-Bravos? O júri dos políticos, caso de José Sócrates, é o eleitorado. Só enquanto houver tachos, como o do Armando Vara, é que aqueles cursos fazem alguma falta.

terça-feira, 10 de Abril de 2007

Aqui não estou em boa companhia!

Não podemos ter sol na eira e chuva no nabal. As coisas complicam-se quantos mais objectivos se quiserem atingir. Queremos vender muito sarrabulho, ter muita gente no fim-de-semana, queremos ser falados por sermos hospitaleiros, queremos ter a Vila limpa, as águas cristalinas, as areias reluzentes.
Facilmente reconhecemos que não haverá Português que se preze que nunca tenha vindo a Ponte de Lima. Vir cá, como diz um colunista, tem o mesmo significado que tem para os muçulmanos ir a Meca. Todos ficamos satisfeitos, mas tudo é passageiro.
O que assume carácter definitivo é a correria de fim-de-semana dos suburbanos do Porto para cá. Se alguma qualidade vem, no meio de tanta bagunça, ela se perde facilmente. E é sempre a maioria que dá a matiz a estes movimentos.
A suburbanidade é um fenómeno que nós desconhecemos, na vivência dos seus efeitos na vida diária, pelo que nos custa compreender a maneira como esta gente se comporta, tais pássaros tontos que nunca estiveram fora da gaiola.
Mas a Câmara e a Associação Empresarial parecem compreendê-los. Instalam uns monstros a pedal na Avenida dos Plátanos, para que eles possam dar largas aos seus instintos mais primários, se pavonearem pelo meio dos transeuntes.
Também se não pode andar a dizer que o sarrabulho cria 1.500 ¿ postos de trabalho e querer fazer uma selecção apurada de quem frequenta estas paragens. O sarrabulho é cada vez mais uma comida de “pobre”, o lucro está na quantidade.
A Câmara apercebeu-se enfim que a maioria só vem cá para fazer lixo, ter-se-á esquecido do barulho. Mas a mensagem é tão contundente que se eu fora a uma terra assim diria que não estava em boa companhia. Há o perigo de perdermos os melhores ¿

sexta-feira, 6 de Abril de 2007

Os recipientes não se põem ... para que quem cá vier leve o lixo consigo

Um dia sugeri que a Câmara Municipal de Ponte de Lima exigisse ao Sr. Valentim Loureiro uma comparticipação na limpeza e no arranjo das nossas praias e jardins pela passagem dos gondomarenses que nos visitam no fim-de-semana.
Como na sua terra não fazem lixo, não causam problemas, respeitam as regras e se cá têm um comportamento diverso é legítimo que sejamos ressarcidos do custo do serviço que cá lhe é prestado, seja tão só pôr à sua disposição um local de veraneio, de espairecimento das vistas, de desopilação dos fígados.
Disseram-me que era problemático, que a Lei das Finanças Locais não prevê este tipo de transferências financeiras, além de que seria difícil destrinçar tanta gente por local de origem para emitir as respectivas facturas, que o Valentim não iria pagar tudo.
Talvez por esta dificuldade, a Câmara decidiu declarar indesejáveis aqueles que não sejam limpos e convidá-los a irem-se embora … mas levando o lixo que tenham feito.
O slogan “Diga não ao lixo!” é um convite para que os nossos visitantes tragam sacos para guardarem o lixo e os levem para as suas terras. Consegue-se assim manter Ponte de Lima limpa e a Câmara não tem que pagar o tratamento do lixo.
Nada mais justo, mas convinha ficar melhor explícito nos cartazes que foram espalhados nos acessos à Vila e na Alameda de S. João. Está certo que, conjugando o que lá está escrito com a inexistência de recipientes em quantidade e com a localização devida, a conclusão só pode ser precisamente essa.
Mas que tal “Seja asseado e … leve o lixo consigo!

terça-feira, 3 de Abril de 2007

O perigo de cair na vulgaridade

A generalidade das pessoas sempre gostou de festas e eu não fujo à regra. Gosto daquelas festas de várias horas, de ficar, de um ou mais dias, festas de arromba, e mais não digo.
E entre elas, claro, das Feiras Novas. Dentro destas cabem várias festas, festas para muitos gostos, que juntas fazem uma grande festa. E gosto também da vaca das cordas, da vaca nossa amiga, com quem brincamos e cuja dignidade “vacum” não deixamos de defender e dignificar.
Gostando eu destas festas permitir-me-ão colocar a questão: Se nós temos o privilégio de ter duas festas de horário nobre, daquelas de telejornal, coisa rara neste País para a nossa dimensão, não deveríamos apostar mais e melhor nelas, em vez de promover outras que são incógnitas?
Primeiro porque a nossa vida não nos permite estar sempre em festa, que se há quem viva da festa, a maioria de nós gasta o seu dinheiro e o tempo que lhe pode fazer falta para outros fins. E se não for assim a festa também não presta.
Segundo porque não podemos cair na vulgaridade. É preciso estar sempre à frente dos outros em alguma coisa. Depois porque ninguém se convença que naquelas festas já atingimos a perfeição.
Desperdiçar energias e recursos por mais festas parece-me desadequado, antes nos deveríamos concentrar no género que sabemos fazer bem. A Câmara vai apostar este ano numa Feira do Cavalo, tudo bem, é arriscado, é arrojado, não faço vaticínios.
O principal interesse irá incidir nos cavalos que nos irão visitar. Mas também seria bom que se desse o devido realce ao nosso cavalo, que já tanto serviu para levar as pessoas, o padre e o médico por montes e vales e que há uns anos foi expulso para os altos das serras mais altas, mais livre e bravio que outrora.Tragam nesta ocasião de volta o nosso altivo e leal garrano!

sexta-feira, 30 de Março de 2007

O Verdadeiro Contra Informação

Diz lá! … o que se passa? … para quê tanto segredo? … Ah! … Afinal! … Sim! … pois! … essa é boa! …parece impossível! … e eu que nada sabia! … mas que grande novidade! … já nada me espanta! …
Quem assim fala é um típico Contra. Faz perguntas, quer saber tudo, fala de todos entre dentes e de ninguém, que se ouça. È contra tudo e nada assume. Só se ri dos que perdem, que dos vencedores se aproxima sempre que pode.
O Contra é um perfeito manipulador da informação. Procura estar onde tudo se sabe. Não tem qualquer amor à verdade mas põe a “informação” a circular com o máximo de rapidez.
O problema está na limpidez com que essa informação circula. É que se o meio de comunicação estiver sujo, a informação sairá conspurcada. Que ela possa prejudicar alguém ou beneficiar outrem não constitui qualquer entrave.
O Contra não se preocupa em omitir alguma face dos acontecimentos e vê os protagonistas pela perspectiva que mais se coaduna com a teoria que já arquitectou.
O Contra vê um lado negro em tudo, trabalha para o realçar e para omitir o claro que lhe não interessa. Reduz a informação, tudo o que consegue apanhar, ao tamanho de uma pérola, burila-a bem, põe tudo numa frase e arremessa-a.
O dramático é que quem não é do Contra, quem é tão só pela verdade, quem quer passar alguma informação válida se vê impotente perante este meio hostil, tão habituado ao veneno da frase assassina.

terça-feira, 27 de Março de 2007

Cosmopolitismo, urbanidade, ruralidade e saloiada

A urbanidade não pode ser exigida a quem como nós está em contacto tão permanente com a natureza, nesta terra de que importamos boa parte da sua força telúrica.
Pode-se-nos exigir ruralidade, estreiteza de pontos de vistas, passividade perante o aumento da diferenciação económica e social, pela renúncia a bens culturais.
Neste meio, em que o desaforo é a constância, só alguns felizardos conseguem ascender a patamares mais altos. Não é nas recepções e convívios de gente com glamour, onde estão aqueles que são idolatrados e se tenta copiar, que resplandece a cultura.
Por isso, quando no ano passado na inauguração do Festival dos Jardins, ideia muito interessante mas que não sobrevalorizo, um Secretário de Estado disse que estes representavam uma manifestação de cosmopolitismo, achei que ele se teria enganado, tão desgarradas são essas iniciativas no contexto limiano.
Não me surpreendeu que no recente 4 de Março, dia de Ponte de Lima, e no Teatro Diogo Bernardes, se passasse aquilo que um bloguista da nossa praça qualificou como acompanhamento sonoro dos telemóveis e movimentos de portas, de que me penitencio.
Mas valha a verdade que bater palmas a meio duma sinfonia é puro saloiice de quem se pela por estas manifestações efusivas. Poder-se-ia ele desculpar que só acompanhou a primeira fila, mas isso é o que diria qualquer ignorante como eu.
O que se queria é que houvesse urbanidade no dia a dia, que se respeitassem as ideias dos outros, quando elas são expressas com clareza e sem subterfúgios. Que se não seguisse sempre a fila da frente. Depois discutiremos onde está a cultura.

sexta-feira, 23 de Março de 2007

Pronta a lutar contra os constrangimentos

A Garça está indignada. A Garça não transporta qualquer virose, tipo gripe aviaria, mas foi posta de quarentena numa edição do A.M. e resguardada noutra. A Garça não é independente, não é partidária, é política.
A Garça não é deputado municipal, não aceita rótulos, roupagens, chegam-lhe as tristes penas, mas é política. A Garça pretende manter a verticalidade que é sua e não contesta a dos outros, cada qual que mantenha a que tem.
A opinião da Garça é só a da própria, não arrasta atrás de si qualquer cargo, não vincula ninguém, ninguém se tem que achar pressionado por ela, se alguém vê nela alguma coacção moral o problema é dele.
A Garça faz política, e com a política pretende enobrecer, não pretende diminuir ninguém. Só se podem achar diminuídos aqueles que não pensam pela sua cabeça, que necessitam de tutores e em relação a esses tem uma moral superior. A política da Garça é a que a sua inteligência dita.
A Garça sobrevoa e não deixa de ver a ignorância, a vaidade, a inveja, a alarvice, sabe que estas “qualidades” existem em muito peixe do nosso rio que anda à caça de dejectos. Mas esse não lhe cairá no bico. Cada um que se eleve ao seu nível da Garça, que esta se não baixará.
Com a Garça os processos de vitimização não têm hipóteses, prefere os suicídios aos assassinatos de carácter. É paciente, sabe que custa passar do boato à informação leal.
A Garça está vigilante e pronta a tirar conclusões e a lutar contra os constrangimentos. A Garça compartilha os sonhos de liberdade, respeita o trabalho sério, responsabiliza-se pelo que diz e aceita que como os outros possa errar, que humano é.

terça-feira, 20 de Março de 2007

O corte da água pode ser uma acto arbitrário

Já paira por aí alguma politiquice relacionada com a arguição de Daniel Campelo e mais dois funcionários da Câmara Municipal num processo por alegada “denegação de justiça”.
Estas coisas têm de ser vistas com ponderação, sem pretender embrulhar este caso com outros de perfil bem diferente. Se o caso é grave, se tem a máxima importância para quem se vê privado do acesso a um bem essencial, mais grave seria se fosse um caso de perseguição que pudesse ser interpretado como estando inserido num outro qualquer processo, que não a normal relação entre entidades com obrigações recíprocas.
Não se podem pôr em causa, antes se devem vincar bem e defender os direitos dos munícipes, mesmo quando se parece tratar de um caso esporádico. Já porque se presume que este caso não está inserido num comportamento sistemático é que não tem a relevância política pretendida.
Politicamente, se devemos aguardar a decisão judicial e saber os contornos precisos do processo, se há ou não execução de um regulamento, também devemos salientar que, se um regulamento que permite uma acção desta existe, tem que ser imediatamente alterado em função dos direitos dos utentes.
Quaisquer regulamentos existentes que permitam um acto arbitrário desta natureza são perfeitamente absurdos num País democrático em que aos munícipes se devem dar todos os direitos de defesa, antes de qualquer acto sancionatório de tal gravidade.Por tudo isto qualquer outra ilação política é para já desonesta.

terça-feira, 13 de Março de 2007

Onde está a corrupção nas autarquias

Jogos de influência, uso de informação privilegiada, venda de facilidades, tais são os crimes mais comummente assacados à actividade autárquica e que caem no domínio da corrupção, seja activa ou passiva, envolva ou não valores monetários.
Os dois primeiros são os mais difíceis de provar, deixam menos rasto, não fora o “malfadado” telemóvel. Em todo o caso em que há crime é porque algumas pessoas têm acesso aos cordéis duma decisão e, por não terem uma noção correcta de justiça e equilíbrio, aplicam a lei em seu favor ou de quem as corrompe.
A linha que separa a legalidade da ilegalidade é por vezes tão ténue, imperceptível, que quase ninguém arrisca ultrapassar essa barreira e botar sentença pública e quase todos arriscam fazê-lo em privado, naquela noção de privado que facilita o diz-se, diz-se. Se os serviços não têm, nós também não temos sempre razão.
Maugrado, os nossos processos burocráticos apoiam-se em leis e regulamentos que nunca mais acabam e que não deveriam dar grande margem de improvisação, ou arbítrio. O problema reside naquilo que é contraditório entre tantas disposições, elaboradas por pessoas e em épocas diferentes.
As pessoas que têm à partida a noção que vão ter que infringir a lei ou entram em competição pelo mesmo objectivo sem confiarem nas leis, nos órgãos e nas pessoas que as deveriam aplicar, recorrem a esquemas paralelos, previamente montados, a pessoas com algum acesos aos cordéis da decisão, para obter o favor ou ganhar por qualquer preço. A verdadeira corrupção existe quando se é remetido para esses esquemas e com mais gravidade quando há uma competição desmedida e desleal.

sexta-feira, 9 de Março de 2007

A deslealdade não tem limites

Vou ser indiscreto ao publicar aquilo que nem confessar se deve. No Alto Minho os concelhos do Parque da Peneda Gerez são e em particular Arcos de Valdevez é para mim o verdadeiro coração da região, o mais bonito lugar, mais telúrico, mais virginal.
As suas gentes não se distinguem sobremaneira das nossas, pelo que não me caberia fazer juízos de valor. Mas esta ideia, decerto de alguns espertos da Vila, de querer alguma benesse na saúde, à custa de Ponte de Lima, parece-me desleal, além de ser absurdo pô-los em concorrência.
Não fora isto e eu chamar-lhe-ia direito e não benesse. Maugrado realidades diferenciadas têm de ter soluções diversas e sem querer dizer que aqui as soluções não deveriam ser iguais, acho que o problema não está na distância Arcos de Valdevez a Ponte de Lima, como não está na de Ponte de Lima a Viana.
O problema está em que Arcos de Valdevez, se tem só cerca de metade da população de Ponte, tem uma extensão muito superior, uma configuração geográfica que dificulta a comunicação, um povoamento mais disperso.
O exemplo da Várzea, indicado nas televisões também não é o mais adequado. Eu perguntaria se da Várzea a Ponte de Lima pelo Lindoso não será para uma ambulância semelhante em tempo a um percurso Várzea Soajo aos Arcos, por Ermelo ou pelo Mezio?
Infelizmente os Arcos de Valdevez tem um argumento, a beleza, que em lugar de lhe ser favorável, lhe é prejudicial, porque condiciona, afasta, repele a presença humana, o que lhe não dá a dimensão populacional que a outros níveis alcança. Mas não se pode ter tudo, haja saúde!

terça-feira, 6 de Março de 2007

O policiamento e as novas formas de delinquência

Mais um assalto em plena zona histórica de Ponte de Lima chama a atenção para a intermitente insegurança do nosso burgo. Os idealistas que se agarram à cor da farda para justificarem as suas opções e a sua inacção têm infelizmente que se assoar a este guardanapo, porque não olham para o essencial que são os meios.
Hoje a delinquência ataca em grupos organizados e sem fardas mas bem equipados, serve-se de todas as armas ao serviço das polícias e de outras mais modernas de que estes nem estão equipados, nem no geral estão aptos a utilizar.
Há uns tempos dizia-se que ocorriam assaltos porque os assaltantes localizavam facilmente o carro da polícia. Hoje a polícia, com mais carros, dispersa-os pela Vila para criar uma impressão de presença que não engana ninguém. Na noite são necessários métodos mais elaborados.
Também se tenta substituir o policiamento de esferográfica nas mãos por outro, dito de polícia de bairro, mas uma coisa é certa: O polícia não pode ser nem lobo nem cordeiro.
Andar a passar crianças e velhinhos nas passadeiras é muito meritório mas é obrigação de qualquer cidadão que se preze. Se também o polícia deve fazer isso é mais importante ter debaixo de olho os delinquentes, estar equipado para o que der e vier, com os meios de comunicação mais modernos, com acesso a bases de dados, com prontidão na mobilidade, com posicionamentos e linhas de patrulhas adequados, com tolerância para o cidadão comum, que já lá vai o tempo de com os polícias pôr medo às criancinhas ou deles fazer atracções turísticas.

sexta-feira, 2 de Março de 2007

Os primeiros culpados somos todos nós, os de aquém Lima

Periodicamente o tema da manutenção ou não da P.S.P. em Ponte de Lima volta à baila, trazido pelos activistas do P.S.D. local. O seu objectivo, frustrado é colocar a questão na ordem do dia.
Depois o P.S.D., secundado aqui pelo Deputado Abel Batista, quer inventar uma saga persecutória sobre o Alto Minho, por pretensamente o P.S. querer fechar tudo.
Infelizmente tenho que reconhecer que o Alto Minho tem sido por todos desconsiderado, dada a sua irrelevância política. Um exemplo foi a boicote sistemático que o P.S.D. fez à construção do Palácio de Justiça de Ponte de Lima e de outros investimentos no concelho, na tentativa chantagista de vender o favor e conquistar a Câmara de Ponte de Lima, que o diga António Martins.
Infelizmente ninguém é virgem nesta matéria e o que nós temos provado é não ter gente a representar condignamente o Alto Minho e o P.S. dá efectivamente um mau exemplo com as suas divisões internas que, se são sinónimo de democracia, também revelam a sua fragilidade e vulnerabilidade aos mais traiçoeiros ataques.
Se os dois sectores mais relevantes do P.S. se abespinham no sentido de querer provar mais fidelidade ao Governo, só deixam marcar pontos a esta oposição folclórica, sem consistência.
O Governo tem uma lógica nacional, cada vez mais aceite e vejam-se as sondagens, mas a sua repercussão aqui tem que ser analisada por nós, não só na vertente de reorganização de serviços como nas políticas activas que existem mas não chegam cá.
Cada problema tem de ser encarado dentro da sua lógica própria, da necessidade de coerência dos vários sistemas em causa, que a verborreia confusionista não leva a lado algum.
Por exemplo é pura ignorância ou má fé misturar tudo e querer que o Governo interfira em empresas já privatizadas, como a E.D.P. e a P.T. e que têm a sua política concorrencial e de relação com o cliente, cuja crítica só será aceitável se vinda do P.C..

terça-feira, 27 de Fevereiro de 2007

Vida de cão é vida sem emoções e sentimentos

Sermos humanos é custoso. Viver em sociedade não é fácil, há escolhos por todo o lado, estamos sempre a encontrar quem não gosta de nós, mesmo sem nos conhecer. Nós próprios repelimos instintivamente certas pessoas que não nos agradam.
Os cães vivem o seu mundo e o nosso em que têm o mesmo problema. Há quem diga que até para ser cão é preciso ter sorte. A mim que gostava que os cães só tivessem o seu mundo, como os lobos ou as águias, repugna-me que um cão seja maltratado sem motivo, só por poder ser um intruso no nosso meio.
Quem gostar de cães deve ter com eles os cuidados que a sociedade impõe. Mas reconheço que um cão pode ser um perigo para o homem, pode ser agressivo, prejudicial, transmissor de doenças. Cabe às pessoas fazer deles animais úteis, interessantes ou companheiros e não perigosos para os outros.
Na minha juventude havia cães que não gostavam dos pobres, dizia-se que era pelo cheiro. Hoje há cães que não gostam sequer de crianças. Porque é que não tenho direito de não gostar de cães intolerantes, quando eu até os tolero?
Os cães agem por instinto, a sua satisfação na brincadeira é o patamar primeiro da violência. Nós agimos por emoções, às vezes por sentimentos, de qualquer modo, à medida que crescemos, cada vez mais libertos dos instintos.
Respeitando todos as normas não há problema em convivermos com os cães. E uma delas diz que os cães abandonados devem ir para um canil. Depois convém convencermo-nos que os cães não favorecem qualquer equilíbrio emocional no homem.

sexta-feira, 23 de Fevereiro de 2007

Que lindo é o nosso ramalhete! Só não vemos como está cheio de flores falsas

A saúde é um tema vital para a maioria da população. O medo da doença foi sempre um dos motivos para guardar umas economias para a velhice. A nossa impotência para a enfrentar, nas suas mais diversas manifestações, aterroriza-nos por vezes.
Então gostamos de ter perto de nós uma mão amiga, uma palavra reconfortante, uma mezinha revigorante. Embora cada vez mais façamos medicina preventiva, nunca estamos livres de uma emergência, de um acidente imprevisto.
Daí que quando se fala de saúde é sempre em clima de exaltação, mesmo sem haver manipulação das consciências. Facilmente abandonamos a racionalidade, as razões mais imediatas suplantam toda e qualquer argumentação mais lógica.
Quando sempre atacamos os serviços de saúde aparecemos de repente a defender a manutenção de situações absurdas. Mas de que se trata agora é de saber onde instalar novos serviços, mais completos e capazes de dar um melhor apoio e não defender o que está, que não serve a ninguém, a não ser o que não é urgente.
Simplesmente nos agarramos àquela máxima de que mais vale pouco do que nada e todos gostamos de olhar para o nosso ramalhete, mesmo que esteja cheio de falsas flores. Para citar um caso particular cheguei à dita urgência com os meus pais mortos
De qualquer modo o Estado deu aqui, nesta questão dos serviços de emergência médica um bom contributo para a polémica, mostrando-se hesitante e sem certezas. A distância de Viana a Melgaço parece que recomendaria dois destes serviços.

terça-feira, 20 de Fevereiro de 2007

A importância da imprensa na escolha da moeda e na determinação do preço

Lembrei-me de pedir à garça o favor de publicitar o meu blog e ela aceitou levá-lo nas suas patas, lá em baixo. Cada meio pelo qual comunicamos tem a sua linguagem, o seu momento, a sua oportunidade, a sua importância. Sem cruzamentos nem atrapalhações, isto em nada vai alterar a nossa relação aqui.
Nada mais importante do que esta linguagem que aqui se escreve, tão perceptível quando possível, com tantas referências valorativas e quantitativas quanto possível, que quando pretende transmitir estados de alma o faz com a clareza devida aos outros.
Quem escreve nos jornais normalmente é associado à política mas o meu objectivo é provar que a democracia é salutar sim, mas nem tudo se resume à política, embora os políticos ocupam a maioria do palco. Daí o meu esforço em não falar só de política.
Além de haver debaixo do céu coisas mais interessantes que a política, também é possível retirar à política alguma gravidade que os políticos encartados lhe dão no sentido de manter o quintal livre de olhos estranhos de qualquer ave livre do céu, seja uma garça.
Todos os acontecimentos da vida diária, da vida social, da vida pública podem ser sujeitos a interpretações variadas. Quando os políticos fazem afirmações não podem estar convencidos que os destinatários só lhe darão a interpretação que eles querem.
Se há algum campo em que nada é, nem nunca será, totalmente óbvio é a política. Mas devemos para lá caminhar e desfazer aquela pretensa gravidade. No mercado da política tudo deve estar à vista de todos. E além de influenciar os preços estamos no direito de rejeitar as moedas que nos queiram impingir.Um conselho: use a Internet com temperança.

sexta-feira, 16 de Fevereiro de 2007

Não corras perigos desnecessários

Em recente reunião da C. M. de Ponte de Lima foi abordado o tema do Monte da Madalena e, quiçá, na tentativa de desvalorizar aquele esplêndido miradouro e os seus jardins, um vereador afirmou que agora a Madalena já não é procurada porque as pessoas têm tudo de que precisam na vila.
Vai daí a garça ficou assaz perplexa e embora não ande a pensar sempre em brejeirices, lá conseguiu ver aquilo que estará por trás daquela afirmação. Porque quem a fez estará a pensar em que houve coisas que já lá foram apetecidas e agora o não são.
Os jardins, substituídos na procura pelos da beira-rio são diferentes, tem outra beleza, menos trivial e mais romântica. O restaurante, sendo a Câmara o seu proprietário, não quererá desvalorizá-lo. Por lá ninguém anda a dar nada, o que será?
Vai daí a garça na sua faina de abocanhar algumas calorias no rio, que, por ser dia de referendo à I.V.G., não pôde deixar de comer, reparou que nas margens do Lima se viam olhos reluzentes, que algumas vezes até reviravam e perante uma reacção de medo até estava tentada a levantar voo.
A tempo reagiu. Eram umas dezenas de olhos que afinal não tinham por objectivo mirá-la, em carros perfilados tipo barreira de artilharia ligeira e não lhe queriam mal. Estavam somente a descansar do esforço do voto.
Gente precavida que, quando se fala em tantos assaltos a carros de namorados, escolhe um local bem visível, corre pouco perigo que numa mata é mais problemático. Eureka, é por isso que a Madalena é menos procurada, mais vale prevenir.
Já agora previnam-se também que a I.V.G. não é para utilizar sem largo prejuízo moral para as pessoas envolvidas.

terça-feira, 13 de Fevereiro de 2007

Os remédios para um homem aflito

Com o tempo de novo chuvoso volta a martírio que há uns anos permanece inalterado. Quem quiser entrar nas casas de banho do Largo de Camões, em particular do lado dos homens, depara com um mar de água a cair do céu.
A Câmara tem poderes para mandar limpar e endireitar aquela caleira, autêntico jardim suspenso, mas este tipo de questões são demasiado comezinhas para ocupar os nossos ilustríssimos representantes.
Escuso-me de lhes mandar algum recado, que nisto quanto mais se fala menos se ouve, mas não posso deixar de lamentar. E como não chega criticar e é necessário contribuir com soluções, para que ninguém se chateie, lá vão as minhas.
Se chove, és homem, estás no Largo de Camões e queres ir à casa de banho, ou:
1. Fazes as necessidades no sítio em que estás, que a água da chuva dilui tudo.
2. Calças galochas, um bom impermeável e um guarda-chuva resistente.
3. Entras na casa de banho das mulheres, em altura de aperto ninguém repara nisso.
4. Entras no café e chateias mais um pouco o patrão já farto de atender os de Gondomar.
5. Prevines-te antecipadamente e fazes as necessidades em casa.Apertas o órgão respectivo e guardas o serviço para mais logo, quando a chuva parar.

sexta-feira, 9 de Fevereiro de 2007

Um Avenida dos Plátanos de costas para o Rio

Nada é eterno e os plátanos da Avenida não o serão certamente. Sendo uma árvore de que se gosta mais pela grandiosidade, tem características que sempre tornam aquele espaço junto ao rio belo e agradável.
O “comboio”, o Hotel Império, o novo Mercado Municipal criaram-lhe um enquadramento infeliz, a Feira subverteu-lhe os objectivos, os hábitos alteraram-lhe a importância.
O seu piso representou ao tempo uma solução eficaz para parar a sua destruição permanente por via das cheias do Rio Lima que ocorriam várias vezes por ano.
Também na altura muitas vozes se insurgiram, mas os aplausos foram surgindo e o tempo veio demonstrar que a obra era sólida e capaz. Até há poucos anos, ressalve-se.
A sofreguidão do dinheiro deixou que por lá se estendessem tendas que com grossos ferros deram início a uma perfuração da placa de cimento que acabou por esventrar tudo.
O nosso Rio é grandioso, mas se não houver espaços convidativos nas suas margens tudo é deitado a perder. Estando de certo modo domesticado, estes espaços podem ser visto doutra maneira. Por isso sou favorável a que se volte a um piso de terra.
O passeio marginal da Avenida devia ser alargado e os ramos cortados à altura dos caules das árvores, para dar visibilidade. A retaguarda não deixa porém sonhar mais alto.
Mesmo a margem inferior do Rio deveria receber equipamento para acesso ao Rio: Em vez dos Mastodontes a pedais que a Câmara autorizou na Avenida, ponham barcos a remos no Rio, para que os nossos visitantes descarreguem lá as suas energias.

terça-feira, 6 de Fevereiro de 2007

Como é possível reclamar agora o que tanto renegamos

Uma das razões que faz alguns autarcas, se calhar todos, a não querer perder serviços públicos até nem é o bem-estar da população, que alguns serviços até são mal vistos, mas sim porque os primeiros a ir embora são aqueles que têm funcionários melhor remunerados.
A esta conclusão chegou o Presidente da Câmara de Viana do Castelo, temeroso de ver o rendimento disponível no município a baixar com o fecho da Direcção Distrital de Finanças.
Não andamos nós há décadas a gritar contra os Distritos, contra a existência de Governadores Civis, contra tudo que fosse dispêndio de dinheiro público, de modo a confundir mesmo serviços válidos com serviços que só servem para fazer a ostentação do poder do Estado.
Atitudes destas, resultantes de análises primárias que visam, tão só, levantarem alguma potencial contestação popular, não têm em conta os interesses de uma cidadania que nos impõe uma análise mais cuidada e mais solidária.
O País não é o somatório destes poderes de quintal, que até faz apelo à sacristia para se fazer justificar, nem o Alto Minho se vê representado por quem não tem uma visão de conjunto e mais malefício tem causado a este canto do País.
Nem Viana do Castelo tem tido Presidentes da Câmara à altura, nem os Governadores Civis têm desempenhado qualquer papel reivindicativo. Não é questão de Partido. È uma questão de tradição, de subserviência vinculada, de incapacidade de falar do todo regional, seja qual for o patamar em que o coloquemos.

sexta-feira, 2 de Fevereiro de 2007

O impirismo não chega para obter o ideal do associativismo ou da desconcentração

È difícil tomar decisões, dizem, mas não me parece. A ver a leviandade com que certas pessoas botam sentenças até se diria que é fácil. Nem necessário é conhecer as questões.
Se se considerar que uma mentira muitas vezes repetida passa por ser verdade lá teremos o erro de carácter em que muita gente cai. Porque há muita gente que não acredita naquilo que diz.
Sobre a temática do Alto Minho, do associativismo municipal, dos serviços desconcentrados do Estado, das extensões dos serviços públicos, é necessário não ver tudo pela mesma bitola.
Por exemplo os serviços em rede podem trazer benefícios pela concentração e benefícios pela dispersão. Haverá um ponto ideal que depende da evolução, da tecnologia, dos meios e dos próprios objectivos a atingir. E não podemos ter tudo só por vaidade.
Os imobilistas por princípio, os defensores acérrimos do que está, são gente sem preparação, perniciosa, retrógrada, incapaz de discutir com argumentos lógicos. Não se pode meter tudo no mesmo caldeirão, e defender tudo de igual maneira.
Que estão no seu direito, mas não no direito de mentir nas atitudes que os outros tomam e não tomam, de apontar incoerências indignas quando só ferem a dignidade pessoal.
Esmeremos os nossos argumentos, se queremos dar alguma contribuição na tomada de decisões. Mesmo sendo inútil pedir para estudar as questões, não desçamos ao nível do achincalhamento gratuito, houvesse hospitais para tratar dos estados de alma.

terça-feira, 30 de Janeiro de 2007

Um Stop à sombra de D. Teresa?

A Avenida António Feijó, mercê de várias vicissitudes, tornou-se a principal via de acesso à Zona Histórica de Ponte de Lima. Só há um outro acesso minimamente digno desse nome, a partir da rotunda da Guia. O acesso pela Veiga de Crasto que tão mal substituiu a Rua do Arrabalde continua a ser do terceiro mundo.
Para complicar, a Avenida tem em cada sentido uma só via, por deficiência de traçado. Tem uma faixa central ajardinada e sem passeio. É cruzada três vezes e acaba num rotunda em volta da estátua de D. Teresa que é descentrada e facetada, não circular.
Por ela descem e sobem os autocarros, estacionam os táxis, circulam ambulâncias e carros de bombeiros. A maior dificuldade em equacionar a sua configuração reside na proximidade do Hospital e do Quartel dos Bombeiros, este com os dias contados.
A pintura que se encontra no Largo da Republica, se é para ver se cola, direi que não, pois, para resolver um aspecto de prioridade, complica todos os outros aspectos do problema. Esta solução impede a inversão de marcha dos autocarros e coloca estes e mesmos os carros em dificuldades para virar à esquerda.
Quem se vai colocar à sombra de D. Teresa à espera de passar pode ser abalroado por um carro que desça a Avenida e não vê qualquer sinalização, ou tem de lá sair de vier um autocarro que queira subir a avenida. Pior se se formar uma fila atrás de si.
Impõe-se desde já redimensionar as faixas de rodagem, acabar com os cruzamentos, ficando temporariamente o dos Bombeiros e o do Hospital abertos a trânsito de emergência, construir uma rotunda a sério na Praça da República em volta da estátua de D. Teresa mesmo que seja preciso deslocar esta.

sexta-feira, 26 de Janeiro de 2007

Regiões pequenas, interesses discrepantes

O líder “invisível” de múltiplas associações e empresas intermunicipais construídas à volta de Viana do Castelo, mas que não coincidentes no espaço, diz-se injustamente mal interpretado.
Que só quer o bem do Alto Minho, diz ele, olhando pelos binóculos de Santa Luzia. Vai mudando de lentes e assim vê a Região de Turismo do Alto Minho com 13 concelhos, a Valimar com 6, as Águas de Minho e Lima com 10, é uma confusão de interesses ocasionais, geridos em plataformas diferentes.
Claro que a nossa interpretação é de que, para este Senhor, todas as alianças que se façam à sua volta se justificam, o que está provado não ser benéfico para este estranho conjunto sub regional, esta manta de retalhos que dá pelo nome de Alto Minho.
Que cada um fale por si mas que se olha para além do nosso horizonte visual. Ponte de Lima está a ser seriamente prejudicado nesta confluência de vários interesses num jogo que está longe de ser limpo. Nós não podemos deixar-nos ir a reboque de estratégias pessoais, de interesses particulares sem integrar todos os interesses em causa num planeamento estratégico global.
Numa altura em que está posta de lado qualquer estratégia consensual, qualquer solidariedade regional também nós temos direito à autonomia que nunca devíamos ter perdido.
Se até pela via do I.R.S. vai ser possível incentivar a concorrência entre municípios, cada vez será mais difícil uma estratégia comum. E quanto mais pequenas forem estas regiões de trazer por casa mais discrepantes são os interesses dos concelhos que as integram.

terça-feira, 23 de Janeiro de 2007

As Festas e Feiras são um martírio para os deficientes

De passagem por Covas encontrei o Vilarinho, velha glória da concertina e dos cantares da Serra de Arga. Mantêm a sua vivacidade, malgrado as intervenções cirúrgicas a que já se submeteu e a idade que já é alguma.
Este homem, presença assídua nas Feiras de Ponte e obrigatória nas Feiras Novas, continua a encarar a vida com a satisfação de quem nunca se amedrontou com a Serra que diante dele se apresenta esplendorosa.
Calcorreou o Cerquido, as Argas, Dem e a Montaria, todos os recantos da Serra e outras Terras das suas cercanias para que na Serra não houvesse frio, levando as suas mantas, meias e alegria.
Hoje o Vilarinho está mais comedido. Lá vai com o seu carrinho sem carta dar umas voltas, já se não dedica ao comércio, mas sente saudades das terras onde era recebido como pessoa da casa e agora lhe é mais difícil ir.
Mas o Vilarinho tem uma tristeza maior que lhe enevoa o coração. Ama Ponte de Lima e já cá não pode vir nos dias de Feira de que ele tanto gosta. Só o deixam estacionar longe e a ele custa-lhe andar até ao seu velho lugar junto da Torre da Expectação.O único lugar de estacionamento para deficientes existente na Baixa é junto ao quiosque à entrada da Ponte e no dia de Feira é ocupado. Nos dias de feira não há deficientes? A Câmara tem muitas outras alternativas. Porque não reservar outros lugares? Só contam os lugares de feira e as pessoas nada contam?

sexta-feira, 19 de Janeiro de 2007

Estratégias comuns querem soluções solidárias

A Câmara Municipal de Ponte de Lima vai cobrar nova taxas e nova tarifas em relação ao fornecimento de água para consumo e ao tratamento das águas residuais.
Tendo sido criada uma Empresa Intermunicipal, cujo funcionamento é necessário pagar, estamos prisioneiros da estratégia de outros municípios, sem autonomia para adoptarmos uma estratégia própria e mais competitiva.
É evidente que água não nos falta, nós não precisaríamos da água da Barragem de Touvedo. Vamos no entanto ter de pagar a “vaquinha”, para resolver os problemas dos outros. É uma solução solidária de aplaudir. Mas a solidariedade não é caridade e exige em circunstâncias idênticas contrapartidas em sentido inverso.
Cuidado, temos a consciência de ir pagar mais do que era devido para resolver os problemas de muita gente ingrata. Viana do Castelo e Caminha vão ter água com abundância, para não terem mais problemas no Verão, e que lhes faça bom proveito.
Para já sofremos com estradas esventradas há um ano e vamos sofrer no futuro com os aumentos dos preços. Para nivelar o nosso pagamento ao deles, que nisto não pode haver favorecidos.
É altura de fazer um aviso: Quando um político de língua solta, tipo João Jardim de Viana do Castelo, fizer ameaças de colocar portagens para atravessar a “sua” cidade, nós vamos tapar-lhe a passagem da água na nossa “terrinha”.
Claro que não vamos. Mas o desprezo que certos políticos nos manifestam não pode passar sem resposta.

terça-feira, 16 de Janeiro de 2007

O lastimoso egoísmo de alguns políticos

Nem tudo é mau em Viana do Castelo. Chamo à baila o seu programa de reabilitação de prédios degradados, não para dar a tão pequena pata da garça à palmatória, mas para confirmar aquilo que ela disse na sua última aparição.
Quando é para si sabe fazer, quando é para todos é uma lástima, quando é só para os outros nem uma pequena ajuda dá. Reabilitar em seis anos cerca de metade das casas do Centro Histórico e assim recuperar habitação e comércio, muito bem.
Seguisse a Câmara de Ponte de Lima este bom exemplo. Mas esta só segue os maus. Deixa-se estar à espera, talvez como os próprios donos dos prédios, que os tempos melhorem. Nós não soubemos aproveitar no tempo certo e agora vamos a outra, se a houver, para não perdermos também esta.
O que temos de saber é com que companhias e acima de tudo quantos patamares é preciso subir para lá chegar. Que dimensão deve ter cada patamar. Uma coisa é certa, qualquer poder sedeado em Viana do Castelo não é benéfico para Ponte de Lima, nem para o Alto Minho e está posto de parte.
O Alto Minho tem que ser solidário (terminando com a segregação da Valminho), tem que se virar definitivamente para o Baixo, para o Sul (para a Galiza, para o Norte noutra perspectiva) e não deixar que a água corra toda para o mar. Que os do mar (Esposende, Viana do Castelo, Caminha), se puderem nem uma lampreia deixam passar. É preciso um freio neste egoísmo.

sexta-feira, 12 de Janeiro de 2007

Querem enterrar de vez o Minho

A verbosidade, arrazoado de afirmações sem sentido que se deixa à interpretação de quem as ouve ou lê, é própria de muitos políticos que, à falta de argumentações lógicas procuram assim confundir as pessoas para justificar o seu imobilismo.
Acerca das Regiões de Turismo e outras realidades afins Defensor Moura, além de ter dito que as províncias e em particular o Minho nunca existiram, alvitrou que, a não ser só do Alto Minho, a Região de Turismo Alto Minhota deveria ser englobado numa região Norte Litoral para incluir o Porto.
É a velha fórmula de dividir para reinar, esticando os extremos das possíveis opções para não se ter que defrontar com uma só opinião oposta à sua. É a politica retrógrada e obstaculacionista.
O que é uma opinião, mas um pouco marginal à questão, é a sua sobre o problema da existência das províncias. Esta afirmação é natural vinda de quem vive tão fechado no seu casulo político. Não é natural é que ela passe sem contestação.
Este Senhor quer convencer os outros que uma realidade só existe se tiver conteúdo político. Pelo contrário qualquer pessoa tem a noção que às províncias corresponde a melhor divisão alguma vez feita no País, que consegue agregar o maior número de critérios geográficos pelos quais de deva fazer uma divisão.Que as províncias se não impuseram como unidades orgânicas a nível político é verdade mas sabemos por culpa de quem. Temos nós Limianos sido muito prejudicados por políticas mesquinhas como esta que nos fazem carregar o fardo do egoísmo vianense.

sexta-feira, 5 de Janeiro de 2007

As características do nosso comércio de Natal

Não temos dados sobre o contributo limiano para o grande consumo da época de Natal. Não só sobre quanto gastamos mas também onde e se alguém veio cá gastar algum.
Se sobre dados ainda é possível especular, não é por não os haver que vamos estar calados para não nos chamarem de especuladores. Aliás também à vista desarmada se vê.
Em Ponte de Lima a população flutuante sempre teve uma grande importância no incremento da actividade económica nas épocas festivas. Mas já longe vão os tempos em que os emigrantes entupiam as nossas lojas, tão elevado era o seu nível de vida comparativamente com o nosso.
Os nossos “emigrantes”, seja no estrangeiro, seja dentro do país, em especial lisboetas, ainda são uns bons dinamizadores do nosso comércio. Se os que estão no estrangeiro já não trazem o fervor consumista de outrora, são os de cá que mostram a melhoria no seu poder de compra que ocorreu nos últimos 20 anos.
Um dos motivos deste comércio é a procura de produtos mais genuínos que possam ainda encontrar na sua terra. Infelizmente se cada vez há menos, também fora destas épocas a sua procura é cada vez menor o que não incentiva o seu fabrico.
Quem já nada procura é outro tipo de visitantes, os velhos raizeiros da Maia, mais os Gondomarenses que os suplantaram. Passam por cá, a caminho ou vindos dos supermercados espanhóis, e só usam as casas de banho dos nossos cafés.
Será porque o que temos para lhes oferecer seja apenas aquilo que eles fabricam e nós lhes compramos?

quinta-feira, 28 de Dezembro de 2006

A incomparável indiferença pelas pessoas

Na nossa sociedade há uma cada vez maior indiferença pelas pessoas à medida que se institucionaliza a responsabilidade pela assistência aos mais carentes de apoio. Transfere-se o que outrora cabia no domínio da caridade e da obrigação moral. Esta falta de Humanidade fere mesmo muitas vezes o núcleo familiar, que até era suposto estar a um nível muito superior à banal caridade.
Os nossos são maltratados mas a preocupação com os animais cresce até à irracionalidade. Colocam-se cães e gatos em condições claramente superiores às pessoas que dormem na rua.
Os zoos domésticos são origem de muitos males. Por natureza os animais estão sujeitos a ter a sorte de muitos homens e mulheres e serem abandonados. A diferença é que os animais recebem esses beijos sem querer e nós não. Nós optamos e suscitamos porque isso sentimentos de compaixão. Os animais, que não escolhem o seu destino, não podem suscitar nada.
As pessoas estragam com mimos os animais que são mais indefesos do que nós. Não se criam com a naturalidade devida e quando são devolvidos à natureza, libertos da acção humana, não conseguem viver com a dignidade “animal” que lhes é própria.
As associações que tentam minimizar este efeito são louváveis mas não se podem cingir a lavar a cara à realidade. Elas próprias não podem ser promotoras de comportamentos que originam esta situação. Não podem tapar as falhas dos donos dos animais.
A estimação de animais, razoável e legitimada por hábitos ancestrais e, noutras civilizações, até pela religião, responsabiliza quem a faz e obriga as pessoas pela dependência que criam.

sexta-feira, 22 de Dezembro de 2006

As perigosas relativizações de Daniel Campelo

Daniel Campelo com o seu gosto por tiradas bombásticas quis comparar sarrabulho e IKEA e deu origem a uma polémica pitoresca. Não traz qualquer benefício para o concelho pôr em confronto duas actividades diversas, mas compatíveis.
O sarrabulho está aí há umas dezenas de anos e recomenda-se. Gostemos ou não dele, digamos que é um objectivo “patriótico” valorizá-lo. Mas também criar novas variantes, com carne de origem local (bízaro) e novas alternativas. Não faltarão clientes. Porém, não é o sarrabulho a indústria âncora para outras.
A IKEA era outra forma sustentada de termos uma indústria de futuro. O perigo pelo qual podia um dia passar é igual ao perigo na indústria do sarrabulho, se um dia as pessoas enjoarem dele. Falta fazem IKEAs, que não esta, que sejam outras mais pequenas.
Esta polémica é um puro exercício académico com que se pretende desresponsabilizar quem acha que não fez tudo o que podia. Para mim tudo se deve a um atraso que não é de agora, mas se Daniel Campelo tinha contactos da Suécia devia ter-se antecipado. De resto o sonhar tem o seu limite e eu nem sonhei.
Em fins de 2005 Daniel Campelo também afirmou que o Festival de Jardins tinha cá deixado 2 milhões de Euros. Ficamos sem saber onde. Agora ficamos sem saber onde estão os 1500 trabalhadores do sarrabulho. Mas isto são afirmações gratuitas sem consistência, sem meio de prova algum, “políticas” que baste.

terça-feira, 19 de Dezembro de 2006

Afinal quem é o Minhoto?

Quando ouço frequentes ou arrebatados elogios, fico logo de pé atrás. Não alinho facilmente em panegíricos, cheiram-me a esturro. Logo suspeito que estarão a querer tramar alguém.
Essa louvação ao Minhoto, que amiúde se ouve, elogiando-o pela sua franqueza, lealdade, humildade, espírito trabalhador e tantas outras coisas positivas é antiga, já muito gasta.
De tanto usada adquiriu o carácter de um estereótipo de que se não cura de saber se tem consistência ou se é a avaliação derivada de um mero contacto superficial e passageiro.
Temos obrigação de não acreditar em todos os rótulos que se apunham indiscriminadamente às pessoas. Se alguém é manhoso, traiçoeiro, arrogante, mandrião, ou merecedor de outros epítetos piores, que lhos atribuam. De elogios basta.
O Minhoto, como todo o Português, aventura-se mas, encontrado o seu sítio, é avisado, não arrisca muito, não gasta todos os trunfos de uma só vez. É subserviente como outros.
Aquilo que nos parecem às vezes características intrínsecas não serão antes dependentes dos circunstancialismos económicos, sociais e culturais que lhe podem incutir alguma diferença?
Se transitarmos deste estereótipo para outro mais inovador, de modo abrupto e radical, chegamos pelo feminino a uma “Laura” qualquer, tal qual a das “Sete Vidas”, desmiolada e exibicionista.
O que temos a fazer é largar este estereótipo, não lhe ligar, vamos como todos adaptando-nos com paciência aos novos circunstancialismos, mas sem adormecer em qualquer travesseiro.

sexta-feira, 15 de Dezembro de 2006

Uma fenda no monolito camarário

O Executivo Camarário de Ponte de Lima tem revelado, nesta e na década anterior, um carácter de tal modo monolítico que já tem engolido os Vereadores da Oposição. Mas nada é eterno e o rochedo, por mais duro que se tenha mostrado, fendeu-se.
O Vereador Gaspar Martins, em divergência com o Presidente Daniel Campelo prescindiu duns pelouros, que não de outros. Revelou incapacidade técnica? Falta-lhe visão política? Porque terá perdido metade da confiança politica, à moda da deputada do P.C. Luísa Mesquita? Ficamos sem saber.
Às vezes as pessoas calam-se porque o silêncio é a alma do negócio, mesmo se público. Mesmo quando se apercebem que o estar calado consente todo o tipo de especulações, e sabem que isso não é bom. Mesmo se sabem que uma remodelação destas se não admitiria quando estão em causa pessoas que se conhecem há muito e que há três mandatos têm uma parceria íntima.
A meia confiança política parece um exercício malabarista demasiado arriscado e penoso. Para os democratas as relações políticas não são contínuas, baseiam-se sempre em fidelidades temporárias. Mas em cada momento se exige frontalidade.
Se não chegarmos a saber como as coisas se passaram, esta fractura é um rasgo profundo no prestígio de Daniel Campelo, em muito baseado nas suas capacidades de discutir, convencer, persuadir e noutras que neste ascendente se possam imaginar.Se Gaspar Martins é imune a esta dialéctica e esta relação se vai arrastar nesta inquietante incomodidade, é legítimo perguntar: quem poderá agora Daniel Campelo convencer?

terça-feira, 12 de Dezembro de 2006

Quanto mais conheço os cães mais gosto das pessoas

Eu poderia escrever aqui que gosto de animais, da natureza, dos seres vivos, como dos inertes, que ninguém teria o direito de pôr isso em dúvida. Os gostos nem se discutem sequer. Poderá alguém mais atrevido fazê-lo, é evidente. E até querer prová-lo. Por exemplo afirmar que “se gostas de cães com certeza lhes dás beijos”. Claro que não, eu cá e os cães no seu lugar.
As pessoas que dizem que “quanto mais conhecem as pessoas mais gostam de cães” serão capazes de o fazer, que tenham disso proveito, é o que eu estimo, mas esses que falem com os cães, que comigo não, que eu prezo que continuem a gostar mais deles.
Eu, por mim, quanto mais conheço os cães mais gosto das pessoas, embora reconheça que algumas pouco fazem por isso. Mas acaba aqui, respeito-os e tanto basta. Por certos cães e por outros animais até tenho alguma compaixão. Todos são lindos, o homem é que estraga alguns.
O homem quer desvirtuar a natureza de muitos animais, salvo os que lhe aparecem no prato. Os cães de Regadas foram lá colocados numa solução temporária que se tornou horrivelmente definitiva. Aqueles bichinhos não nasceram para aquilo.A União Europeia é insuspeita quanto ao gosto por tudo que é alimárias, nem querem que elas sofram demasiado stress quando vão para o matadouro. A U. E. pagou o Canil Intermunicipal de Fornelos para fazer respeitar as suas normas. Que seja responsabilizado o Chico Esperto que não as respeitou.

sexta-feira, 8 de Dezembro de 2006

Quando se tem sede de justiça grita-se

A Vila de Arcoselo deveria merecer uma outra atenção da parte da Câmara Municipal de Ponte de Lima. Não por ser Vila, mas de certo por ser a maior freguesia, a que tem uma sua parte integrada na Zona Histórica da Vila de Ponte, por ser a zona de expansão natural da malha urbana, por ter a indústria mais fiável de todas as que possam existir, por dar um largo contributo para o rendimento concelhio e para as finanças públicas.
No entanto, pasma sem remédio. A Câmara programa para Arcoselo museus, jardins, parques, miradouros, horizontes. A população agradece o ar puro, a paisagem, desculpa algum artificialismo. Só não leva a bem a falta de estruturas, de vias de circulação, de rasgo em relação ao futuro.
Arcoselo levou com a auto-estrada em cima e com o trânsito de acesso sem para isso estar preparada. Uma via estruturante de Brandara à entrada norte da auto-estrada nas Pedras Finas, assim como de Santa Comba à entrada sul da mesma, são necessidades evidentes. A criação de uma bom acesso de S. Gonçalo ao Convento de Val Pereiras, bem como um acesso condigno à parte norte da freguesia são essenciais. Tudo em alcatrão, como os autarcas gostam, mas mesmo assim nada está previsto.
A arrogância de quem detém o poder e tudo faz ao contrário do que seria aconselhável não é boa conselheira. Mas quando se tem sede de justiça grita-se.

quinta-feira, 30 de Novembro de 2006

Parque de campismo ou mais um jardim

A Câmara Municipal de Ponte de Lima prepara-se para comprar mais uma quinta de quatro hectares em Arcoselo, a Quinta de Antepaço (de baixo). Não para reforçar a ruralidade, característica que se foi, que não é em dois dias que se passa de uma agricultura intensiva, que cá sempre se praticou, à agricultura extensiva ou silvicultura, únicas viáveis na maioria dos nossos espaços rurais.
Sem este aproveitamento das nossas terras, impossível sem uma alteração radical da propriedade, que não a municipalização das terras, esta compra é para compensar a falta de zonas verdes que os construtores deveriam criar nas zonas habitadas.
A política de incentivar que se visite esta Vila Velha, que é esporádica e fugaz, não traz qualquer benefício aos residentes. Nem o vejo com a criação do parque de campismo que se prevê. É uma actividade mais apropriada para a iniciativa privada, embora se aceite a ser assumpção pelo Município, na falta daquela.
Será para inaugurar lá para o ano 2009, mais próximo das eleições. Nos próximos dois anos não nos vamos livrar da bagunça que, quando se aproxima o fim-de-semana, se instala mesmo em frente da Vila, por S. João, pela beira-rio, abaixo e acima.Os carros de campismo aproximam-se quanto podem do rio, para que logo pela manhã os respectivos donos lavem a cara, e decerto tudo o mais que acharem por bem, nas águas, outrora, cristalinas do Rio Lima. É fácil ver que terão € para mais higiene.

sexta-feira, 24 de Novembro de 2006

A importância da condução não passa por uma simples carta

Não há dúvida alguma: a estrada é a grande obra do homem, identificadora da sua natureza. Ela permite-lhe uma mobilidade que nunca antes tivera. Antigamente aquilo que o identificava era as pernas, o andar de modo erecto sobre elas. Hoje é o andar sobre rodas, de carro claro, com uns cavalos à empurra.
O andar de avião, de barco, de escafandro é só para alguns e só em determinados momentos, descontraidamente. A estrada é para todos e, se necessário, a toda a hora. O carro dá a todo o vivente aquela sensação de domínio sobre o universo, sobre o tempo e o espaço, como nada mais dá.
Na estrada o homem sente-se poderoso, o centro do mundo, de um mundo que é criado por ele, para o qual ele define as regras de utilização e que lhe dá o domínio sobre tudo que resta. Na estrada faz-se aquilo que seria impensável fazer numa outra qualquer relação do homem com o seu semelhante, aqui ignorado.
Na estrada esquecemo-nos que estamos a utilizar um bem precioso em partilha com outros homens que deveriam ser respeitados nos seus direitos, como em qualquer lugar. A agressividade do homem é na estrada que mais se manifesta, o desprezo pela vida dos outros, que ninguém pensa perder a sua.
As coisas têm melhorado, dizem. Mas entendo que a carta de condução deveria ser obtida após uma aprendizagem cívica e com uma cerimónia iniciática a que se daria a importância de um casamento (Esqueçam, é melhor arranjar outra comparação).

terça-feira, 21 de Novembro de 2006

Que factores competitivos passam pelos cérebros mealheiros

O desemprego é um fenómeno económico e social a que não estávamos habituados. Nós que neste mundo da indústria só entramos há uns poucos anos, já lhe estamos a saber os efeitos.
Do desemprego em massa, daquele que manda de uma só assentada umas dezenas ou centenas de pessoas para casa. Desemprego de um emprego que já não volta mais, que vai para longe, para o estrangeiro mais longínquo. Daquele que cá não deixa ficar nada do género a não ser umas paredes nuas. Emprego parecido para absorver os desempregados em tempo útil é vê-lo!
Valha-nos que com o fecho de uma fábrica de calçado na Gemieira se diz que uma outra fábrica de acessórios de automóvel, de algum modo parente, ainda que afastada, é capaz de absorver algum daquele desemprego. Veremos!
Também esta é uma indústria com os seus problemas, com as suas limitações, mas alguma coisa há-de ficar, e de preferência cá. Afastemos o mau agoiro, dirão os mais sugestionáveis.
Que nisto não há milagres. Não havendo encomendas, não há trabalho. São multinacionais que se estão marimbando para a paisagem, para a bonomia das pessoas, para a boa gastronomia.
Avancemos com outros factores competitivos que estes nunca passarão pelo cérebro-mealheiro dos empresários mais humanistas. Precisam-se de vantagens (terrenos, acessos, equipamentos sociais, isenções) traduzíveis no vil metal.

sexta-feira, 17 de Novembro de 2006

Com a floresta tem-se perdido dinheiro e harmonia

Em meados do século passado os então Serviços Florestais promoveram a florestação de todos os montes circundantes de Ponte de Lima, essencialmente com pinheiros. Pouco sobrou.
Mais tarde, com a celulose, veio o eucalipto que ocupou tudo o que pode e que contribuiu para acentuar ainda mais a tonalidade deste verde carregado na paisagem limiana.
Com a falta de cambiantes os Invernos tornaram-se sombrios, os Outonos quase irreconhecíveis e as Primaveras desfloridas. Quem cá vive continuamente satura-se de, na aparência, não existir renovação. A não ser que lhe seja indiferente.
A nossa paisagem não era assim e, por força dos incêndios, também já não é assim tanto. Regressaram à nossa vista, infelizmente por esta via, os penhascos, os cinzentos das partes ardidas, alguns castanhos e distintas cores da vegetação rasteira.
O investimento feito no século passado redundou em nada. Os guardas florestais acabaram e as suas casas estão ao abandono. Os pinheirais arderam e os lucros voaram. Onde está o dinheiro para a reflorestação? E em muitos locais será mesmo de fazer?
Numa sociedade mercantilizada as más opções pagam-se caras. A harmonia perdida não tinha preço e já ninguém no la pode restituir. Resta-nos olhar para a paisagem tão pobre como ela está.
Fiquemos à espera que, ao menos, não a deixem dominar pelos infestantes, as austrálias, as mimosas, os giesteiros, os resistentes eucaliptos e reintroduzam algumas folhosas para dar algum colorido e proteger a floresta dos incêndios.E para que sobre algum espaço de pasto para as ovelhas do Senhor Vereador da Câmara Municipal de Ponte de Lima.

terça-feira, 14 de Novembro de 2006

A pobreza e a indigência

A pobreza é um drama, um suplício. Sair da pobreza não é fácil, mas alguns lá vão saindo, com ou sem a ajuda de outros. Claro que um empurrão muitas vezes facilita e mostra-se necessário.
O Comité Nobel reconheceu este efeito ao laurear com o seu Prémio de Economia um banqueiro que, com o micro crédito, tem incentivado as pessoas a ultrapassar este patamar indesejável.
O problema está quando, ao contrário, se passa da pobreza à indigência e se renuncia a qualquer propósito de melhoria da nossa condição humana, isto é, se perde a noção de vergonha.
Em Ponte de Lima este fenómeno é tipicamente sazonal, mas já vai adquirindo carácter de permanência. São “romenos”, são naturais, são pessoas “espertas”, são excluídos.
A terra é pequena e claro que não há aqui a concentração de indigentes dum cidade. Mas o fenómeno existe, não se podem fechar os olhos. Que existisse uma só pessoa, deve ser ajudada.
A grande visibilidade também deriva de, ao contrário do passado em que o indigente se colocava estrategicamente à espera da “caridade” alheia, hoje ele move-se, dá mais nas vistas, ataca as pessoas em qualquer lugar, em qualquer ambiente.
Esta indigência tem alguns méritos. No geral anda lavadinha, veste bem, e tanto está na pedincha, como está ao nosso lado a comer um prego no Escondidinho ou um pastel de nata no Gérinho.Esta pedinchice que cai como um falcão sobre os turistas no Largo de Camões merece este reparo, compreensivo, mas deve merecer das autoridades sociais e policiais mais atenção.

sexta-feira, 10 de Novembro de 2006

Quem vence: O estacionamento ou os espaços verdes?

A escola pré-primária de Ponte de Lima foi implantada num terreno que faz gaveto entre a Via do Foral de D. Teresa e a Rua do Sobral, tendo a sua saída para àquela Rua e ficando o terreno sobrante ajardinado com erva.
Em frente da escola o passeio foi reduzido a metade ficando o restante para paragem, que não para estacionamento, que não tem largura, dos carros das pessoas que vão buscar os filhos à escola.
Até aqui tudo bem. Só que nesse reduzido espaço colocaram agora umas laranjeiras, de que se não contesta o valor, mas que anularam o efeito que se tinha alcançado com aquele local de paragem: permitir que na Rua do Sobral se pudesse transitar nos dois sentidos sem constrangimentos em horas de ponta.
Só podemos pensar que são vereadores e serviços camarários diferentes que superintendem nas questões de trânsito e nos espaços verdes e que entre eles há a mais absurda desconexão.
Já quando se abriu a Rua do Sobral se poderia ter deixado espaço para estacionamento e passeio que chegasse para lá colocar árvores. Afinal o terreno ao lado não tem servido para nada e até os cachorros, a atendermos aos sinais que lá estão, estão proibidos de lá entrar, mesmo acompanhados.
Se é para que esse terreno fique limpinho para os forasteiros lá piquenicarem, estão ponham lá mais umas árvores e as correspondentes mesas e bancos a preceito.

terça-feira, 7 de Novembro de 2006

Não seria melhor sermos nós a fazer algo pela Humanidade

Está na moda as nossas Terras atribuíram-se um qualquer título que as possa diferenciar, aproveitando para isso alguma característica particular.
A Câmara de Ponte de Lima, incapaz de candidatar a nossa Vila a Património da Humanidade, seja Arquitectónico, Natural ou Oral e Imaterial, para o que manifestamente lhe falta valor, resolveu apresentar um projecto de candidatura com esta sigla de Terra Rica da Humanidade e assumiu-a logo como sua.
Não tendo que ser reconhecida por ninguém a justeza da atribuição deste título, servirá para encher o ego de quem assim procede, e dá mais beleza à correspondência e aos carros.
A Humanidade, essa, a braços com outros problemas bem mais graves como as guerras, os ensaios nucleares, a fome, as doenças endémicas e transmissíveis, o efeito de estufa, não se vai preocupar com isso.
A Unesco, por seu lado, ainda não consultada sobre este assunto, também não tem porque se pronunciar, o título não é dela.
Como não praticamos qualquer facto relevante, como não temos uns monumentos a assinalar feitos grandiosos, sequer umas muralhas testemunhas de batalhas decisivas, como não preservamos a beleza que temos e é pouca a obra humana, como não sabemos cantar o fado e até adulteramos o “ó ai ó la li ló lé la”, o que nos credencia para esta pretensão?
Será que, ainda antes que a Humanidade tenha disponibilidade para se preocupar com estas coisas mesquinhas, com estas vaidades sem conteúdo, com o ridículo que esta situação pode comportar, podemos fazer algo por ela? Bem precisa.

sexta-feira, 3 de Novembro de 2006

A nossa face é o Rio

Ponte de Lima, o velho burgo, assentava sobre a ladeira poente de uma suave colina sobranceira ao Rio Lima. A sua expansão presumia-se, e está a acontecer, estendeu-se para o lado sul e continuará a fazer-se no sentido da velha estrada de Braga.
Face à dimensão que a Vila virá a assumir, a sua relação com o Rio cada vez mais se parece com a ponta de um funil, na estreiteza da sua extensão. Mas o que não pode restar em dúvida a ninguém é que esta será sempre a cara de Ponte de Lima, a sua face mais visível e identificadora, como o atesta o pintor André Rocha.
Alguma monumentalidade, a marginal ribeirinha, o Rio, eis como nos mostramos aos outros. Mas impõe-se também que se fortaleça a nossa ancestral simbiose com o Rio, aspecto que, não sendo comparável em Montalegre ou Abrantes, tem merecido a máxima atenção por parte das respectivas autarquias.
Em Ponte de Lima não se sai dos “pré-projectos”, “estudos preliminares”, intenções avulsas, que só residem na cabeça de alguns, concretizações desgarradas. Quando ainda se não resolveu o problema do espaço entre S. João e a Sr.ª da Guia, já se fazem obras sem projecto, sem uma visão estruturante em Campo Raso e na Veiga de Crasto.
Ponte de Lima necessita hoje destes espaços, não para os cravejar de cimento, mas de campos desportivos, jardins, bosques, porque não de parques de exposições, de espectáculos, tudo feito com harmonia, sem acavalitamentos e promiscuidades.
Em Ponte de Lima não se pensa no futuro e depois faz-se tudo à pressa, que assim nem projectos, nem discussão fazem falta.

terça-feira, 31 de Outubro de 2006

Delicada papagaia, inocente pomba ou fraca milhafre

De certo que o nosso Director não pensou que eu poderia ter tido a indelicadeza de atribuir aos meus companheiros de coluna qualquer título que eu próprio rejeitaria. Mas resolveu brincar com esta questão das águias e dos abutres e nada de mais saudável.
Nunca a saudei, e disso me penitencio, a nossa companheira de jornada, a bela Rosa, e aproveito para preencher essa lacuna. Não a conhecendo pessoalmente, o que lastimo, também só agora lhe vou definindo os “contornos”, a substância a que me dirigir.
Espero vir a dar-lhe um beijo, que não no jardim, na redacção. Se me perguntar a opinião não lhe atribuiria o título de águia mas antes um mais gracioso de pomba … e branca, tal o seu reiterado gosto pelos jardins.
Jardins que não terão proporcionado tanto proveito assim, pergunte-se aos comerciantes, que não serão dessa opinião. Se me permite, dir-lhe-ei que já ouvi isto em qualquer lado, pelo que me parece que, em vez de águia, me está a parecer mais uma papagaia.
Jardins, harmonia ou desarmonia contextualizada, podem não ser mais que o pano que tapa tanta carência e pecam pela falta evidente de enquadramento, que não com a beleza da paisagem.
Por este andar, com a candura de uma branca pomba e a delicadeza de uma papagaia, ainda um dia, ao passear nos seus amados jardins, algum fraco milhafre, que aqui não chegam as altaneiras águias, poderá picar sobre si e (oh “recordações”!) vir a comer consigo algum piquenique de … pomba na relva.

sexta-feira, 27 de Outubro de 2006

O cheiro dos governantes até era bom

Nós habituámo-nos e depois sentimos a natural falta. Há tanto tempo que não vem cá um membro do Governo para inaugurar qualquer coisinha que ocorre-nos um sentimento de estranheza. È que nós até já convivíamos bem com o cheiro dos governantes.
Será birra? Cá o nosso primeiro chamou salafrários a alguns ministros e nenhum vai saber se lhe toca ou não a ele. Ou será que não haverá nada para inaugurar?
Em relação à 1.ª hipótese parece não constituir problema. Houve algum mal-entendido mas cá o nosso primeiro já depois disso foi mandando uns telegramas de apoio noutras questões e tal deve chegar para melhorar o ambiente.
Por exclusão de partes a resposta está claramente na segunda hipótese. Fala-se em mais um terraço de cimento para os cavalos mas para já nem uma égua lá se viu. E lá se vai delapidando um espaço da Rede Natura, para onde já esteve pensado um campo de golfe mas que agora é uma manta de retalhos.
Fala-se, de vez em quando, no canil, mas ninguém diz porque temos de continuar a suportar um improvisado em S. Gonçalo. Fala-se da ligação do gaz natural mas isso só vai ser para “meia dúzia”. Mais uma vez o Centro Histórico vai ficar desfavorecido.
Fala-se, fala-se, mas das obras que podiam levar a colocar a já típica chancela “Inaugurado pelo governante X na presidência da Câmara de C” não se espera nada para este ano.
É prática protocolar mas digam lá se não é verdade: Do governante, que no geral até pouco contribui para o caso, ninguém mais vai ouvir falar; dum presidente da Câmara não se espera tanta vaidade. Das obras, talvez para 2009 haja algumas.

terça-feira, 24 de Outubro de 2006

A nossa centralidade e o exemplo dos pronto-socorros automóveis

O ter escrito um artigo sobre águias, garças e abutres levou-me a uma estranha associação de ideias. Muita gente está a, aparentemente, nada fazer. Só que é para que, quando for necessário, possam ocorrer ao chamamento urgente.
São bombeiros, médicos, enfermeiros, polícias, mais e muitos mais profissionais que estão prontos a socorrerem-nos a qualquer momento. E como tal têm à sua disposição os “pronto-socorros”.
A rotunda de S. Gonçalo começou há tempos a ser o local privilegiado de estacionamento de alguns carros de reboque, da classe dos ditos “pronto-socorros”, mas cuja primeira impressão causada deu para que lhes chamasse abutres.
Pensando porém melhor o seu papel é tão meritório como o de outros profissionais do socorro, prontos que estão para correr a desobstruir uma via, para nos libertar de uma carro que já é um estorvo para nós. Como certas associações de ideias são injustas!
O que isto parece provar, pensando ainda melhor, é que a nossa centralidade foi descoberta por todos, até por pedintes, menos por nós e tarda a ser aproveitada em benefício do concelho.
O que falta para que os empresários da nossa terra, com certeza que há dinheiro, se abalancem a concentrar em Ponte de Lima serviços que cá deixem alguma mais valia? Se estamos só à espera de grandes empreendimentos bem estiolamos.
Tendo rejeitado há anos a hipótese de sermos o supermercado do Alto Minho, resta-nos a especialização, a inovação, a iniciativa. Para que não nos chamem nomes feios, porque quem espera sentado pelo cheiro da boa comida já só alcança os sobejos.

sexta-feira, 20 de Outubro de 2006

Arregalamos os olhos, esticamos a corda dos salários

Quando aderimos ao Euro, já lá vão uns anos, criou-se a ilusão de que, rapidamente, os nossos salários se equiparariam aos praticados nos outros Estados Membros.
A produtividade, essa terrível arma de arremesso usada por políticos e empresários, sempre que lhes convém, como se eles não tivessem nisso as maiores responsabilidades, tem servido para suster os salários na base da pirâmide social.
No topo da pirâmide social, porém, essa conversa não faz mossa, pelo contrário, os salários, se assim lhes podemos chamar, chegaram ao melhor do melhor que se pratica lá fora num abrir e fechar de olho.
A corda que sempre liga a base ao topo foi esticada ao máximo de modo que o topo subiu tanto que a distância se tornou insuportável, ultrapassando-se largamente a grelha de rendimentos que em média se pratica lá fora.
Esta indecorosa situação social, de que parece nem todos se apercebem, já foi denunciada sob o aspecto moral por forças que entendem dever ter esse tipo de intervenção. Na verdade as implicâncias desta situação são muito mais vastas e algumas são mesmo, à sua maneira, positivas, perdoem-me a desfaçatez.
Colocaram à vista de todos, juntamente com o escândalo dos excessivos proventos, a vergonha que constitui o número de parasitas incrustados numa máquina ancilosada e que mais contribuem para a manterem inoperante e ineficiente.
Não somos daqueles que dizem que o mal vem sempre por bem mas será imperdoável que não aproveitemos a evidência desta situação para corrigir tanta anomalia que existe no aparelho de Estado.

terça-feira, 17 de Outubro de 2006

Preparem-se com as vacinas que os jardins suspensos ainda lá estão

O Outono lá chegou, em devido tempo, diga-se a propósito. Com abaixamento de temperatura, alguma chuva, as aulas para os mais novos, as vacinas da gripe para os mais velhos.
Que faltam, embora, ao que parece, esta questão se refere mesmo à escassez da vacina e não à escassez de dinheiro, que de falar dessa já estamos um pouco saturados.
Seja o Estado, sejam as farmácias, seja quem for o responsável, não compra porque não há vacinas, estas coisas não se fabricam clandestinamente e não dão para especular.
Se não é a economia mas sim a biologia ou a farmacologia que não conseguem ultrapassar esta escassez, devemos, mesmo assim, estar alerta para que, por incúria ou favorecimento, a vacina não falte aos mais necessitados.
Em anos passados foi um vaivém de andaimes (não vou fugir do assunto descansem), um sobe e desce contínuo para limpar caleiras, para colocar novas e substituir antigas.
Só que nem todos o fizeram, nem todos puderam ou nem todos foram obrigados. Chamo à baila, como exemplo, o prédio junto às casas de banho do Lg. de Camões que anda há uns anos a propiciar uns bons banhos, quando eles menos precisos são, nas frias épocas de Outono e Inverno.
É ver como as sementes desabrocham, como as ervas já estão verdinhas, tanto húmus tem aquele telhado e as caleiras, da maneira que estas vergam ao seu peso.
Não sei a quem responsabilizar pela existência destes jardins suspensos, caso alguém se venha a constipar por gramar com tão inconveniente banho e não estar vacinado, sujeito ao rateio das doses de vacina. Claro que não é denúncia. Há mais…

sexta-feira, 13 de Outubro de 2006

Antelas será só lucro fácil, ganância?

Contrariamente ao que um “político com blog” afirma, eu não defendo só o presente e nego o futuro e, muito menos, defendo o lucro fácil no caso das pedreiras da Serra de Antelas.
Mas também não defendo o choradinho sobre a exploração dos trabalhadores ou o alarido daqueles que, quando lhes convém, chamam ganância à “sorte” de alguns de ter oportunidade de valorizar um trabalho de gerações.
Porque genericamente não são paraquedistas, mas sim aqueles cujas famílias e eles próprios trabalharam anos e anos no duro, que reinvestiram, arriscaram e pelos vistos ganharam.
Poderíamos falar de fuga aos impostos, deveres e regras que se não cumprem, condições de trabalho e ordenamento que não existem, direitos que se não respeitam, mas para falarmos de apropriação indevida é melhor estarmos calados.
O direito à propriedade não é sagrado para uns e diabólico para outros. O direito de propriedade tem as limitações da Lei.
O direito ao futuro é que pode servir como base a uma discussão séria, que não passe por banalidades, lugares comuns, acusações obscenas, fundamentalismos de pacotilha, trivialidades de “fazedor de opiniões”, por jogadas verbais em que do bem comum se faz o joguete do costume.
O direito ao futuro é o direito à água límpida, ao ar puro, aos outros elementos essenciais da vida, à fruição de um mundo que o homem colocou à sua quase exclusiva mercê, para o bem e para o mal, o que eu não neguei poder estar aqui em causa.Eu, tão só, coloquei a questão ao nível do direito à paisagem e nessa instância ele não é eterno. A paisagem sofreu, sofre e continuará a sofrer evitáveis e inevitáveis alterações.

terça-feira, 10 de Outubro de 2006

Não se confunda a mensagem com o mensageiro

Fui surpreendido pela colocação de “uma” minha imagem nesta pequena crónica. Não que eu me esconda de nada com coisa alguma. Não que eu tenha receio que se “confunda” a mensagem com o mensageiro.
Alto lá! Não é pretensiosismo mas não se arranje outra “confusão”. Esta referência à mensagem nada tem a ver com a qualidade da escrita. Fiquemos somente com o carácter técnico e deixemos descansada a valia do que se escreve.
Uma mensagem só adquire a sua perfeita eficácia se a não confundirmos com o mensageiro. Há coisas que “têm” que ser ditas e não agrada ao mensageiro falar delas. Até podemos dizer que este ou aquele assunto não cabe na “ambiência” do mensageiro.
Pelo contrário, há coisas que “não têm” que ser ditas mas agradam ao mensageiro e então perguntar-se-á para que se mete “este gajo” em assuntos que, por sublimes, não estão dentro do alcance das suas capacidades?
O óptimo era ler, não ter “ideias feitas” sobre o que deve ser dito e não dito e avaliar independentemente da origem. E claro que era óptimo ter travões para recuar quando vier ao pensamento a velha máxima: “ não sei quem é este gajo mas nesta é que me não leva”.
O óptimo era ser capaz de, se for caso disso, se ela “passar”, integrar a mensagem na nossa sabedoria de vida, transmiti-la uma dia sem necessidade de citar a origem, sem “pagar” direitos de autor: Como se ela já fosse nossa desde sempre, parte da nossa sabedoria, um “”“átomo””” da sabedoria universal.

sexta-feira, 6 de Outubro de 2006

O valor de uma prenda é o de quem a oferece ou o de quem a recebe?

O Presidente da Câmara de Ponte de Lima, Daniel Campelo, brindou um dia o mediático Prof. Carrilho com uma escultura de granito fino de um Santo António, que o prendado, mais habituado a manipular ideias, deixou cair, vergado ao peso da substância.
O mesmo não aconteceu ao Rei da vizinha Espanha, quando o nosso Presidente da República, Prof. Cavaco Silva, lhe ofereceu um PDA da última geração, com software português de gema.
A escolha de uma prenda assim tão soft teve o objectivo de chamar a atenção dos meios de comunicação para as nossas capacidades e realizações, que já vão surgindo nesta área e que nós devemos ser capazes de vender ao estrangeiro.
Desculpar-me-ão, porém, se manifestar a minha estranheza por esta oferta de um artigo que, sendo valioso é perecível. Não passarão muitos anos e ele será remetido para a pré-história da comunicação. A Realeza gosta de artigos mais substanciais.
A não ser que nós nos consigamos manter na crista da onda desta área e se consiga fidelizar o Rei dos Espanhóis como cliente destes produtos. Então este PDA poderá um dia ter direito a um lugar em qualquer museu dedicado à respectiva arqueologia.
Não fora esta esperança eu diria que esta é uma prenda mais para o mordomo do Rei do que para o próprio e que mais apropriada para Sua Alteza Real seria uma escultura de São João, artisticamente esculpida pelos nossos Irmãos Sequeiros, com fino granito das nossas pedreiras de Santo Ovídio.

sexta-feira, 29 de Setembro de 2006

Por onde passam os peões na Ponte de Anhel?

Muito recentemente foi inaugurada a ponte de Anhel, entre a limiana freguesia de Sandiães e a barcelense Alheira. Obra há largos anos necessária, dada a estreiteza da velha ponte e o volume de trânsito que por ai já circula.
À primeira vista parece ter ficado tudo nos trinques. Destoará o estado lastimoso em que ficou a ponte agora desactivada. Os parapeitos estão mal seguros, alguns bastantes danificados, necessitando de uma restauração apropriada.
As margens do Neiva mereciam também uma beneficiação que lhe restituísse a beleza. A partir desta ponte começa uma série de moinhos, os belos moinhos de Panque, ao descer o rio Neiva por uma inclinada rabina.
Mas olhando com mais atenção ver-se-á que há uma falha que mais se lamenta na execução desta obra. A ponte em si tem duas passagens para piões, devidamente protegidas por rails.
Estes passeios foram construídos porque o computador em que foi projectada esta ponte assim o imponha, por certo. É que, passada a ponte, só se consegue transitar a pé pela parte de dentro dos mesmos rails de protecção.
Dir-se-á que os rails são para proteger os carros e não as pessoas. Se alguma ficar esmagada pouco importa. Dir-se-á que o risco que as pessoas correm não justifica mais um metro de aterro.
Dir-se-á que por cada mil pessoas que passam de automóveis, passa uma só a pé e será azar se um acidente acontecer.
Miserável país este em que aos bem aconchegados e burocráticos técnicos das Estradas de Portugal nada acontece.

terça-feira, 26 de Setembro de 2006

Passada a euforia das Feiras Novas vejam-se os erros cometidos

É sempre com alegria que vivemos as nossas Festas. No fim, então, procuremos esquecer isso para aprendermos um pouco.
Impõe-se que se não repitam os erros mais evidentes e grosseiros, que se avance no sentido de corresponder aos novos ritmos do povo, o de mais e o de menos idade.
Concluiu-se facilmente que quem pretende estender a Festa para aquém da sexta-feira à noite e para além da segunda-feira à tarde está a cometer um erro grave.
A Festa cabe bem nestes quatro dias que afinal são três. Evita-se a dispersão de energias, a criação de hiatos. A Festa deve ser em crescendo com o seu ponto mais alto no sábado à noite.
Os factos mais infelizes vamos atribui-los ao cansaço e desleixo resultantes de situações de monopólio de muitos anos.
O deslize no fogo de artifício de domingo pode entender-se, mas nenhum atingiu o esplendor de outros anos, se não na bombardearia final. A meteorologia não pode ser só a culpada.
Mas o ponto negro é a iluminação. Ao caso da Capela de Stº. António acresceu a decapitação do estame do chafariz. Também a iluminação da Ponte Medieval não correspondeu à expectativa.
Houve repetição de velhos motivos decorativos em toda a vila, duplicação de luz no Passeio e falta dela noutras artérias. A iluminação das casas está gasta, a do Lg. de Camões está pobre.
Não há motivação das empresas, não executam os projectos que apresentam, não há responsabilização. Quando se come do “doce” há tantos anos, surge fácil a arrogância e a prepotência.

terça-feira, 19 de Setembro de 2006

A polémica não iluminação de Santo António nas Feiras Novas

Uma surpresa nos estava prometida quando, erroneamente, se fixou um dia para a inauguração da iluminação eléctrica do recinto das Feiras Novas.
Esse dia, por antecipado, criou um hiato nada favorável à evolução em crescendo, em que deve ser estruturado o programa festivo.
As Festas não começaram da melhor maneira e, para ajudar, até a chuva apareceu. Mas, se a tal surpresa surgisse, talvez tudo se remediasse, valendo ela por todos os outros dissabores.
Mas, sinceramente, de uma surpresa deslumbrante ainda estou à espera. O que me surpreendeu, e talvez não tanto, foi a falta de iluminação festiva da Capela de Stº. António.
Iluminada com as pequenas lâmpadas em linha, a Capela de Stº. António constitui, desde há muitos anos, elemento central na maioria de fotografias, cartazes e pinturas alusivas às Feiras Novas.
A iluminação projectada não corresponde àquilo que no nosso imaginário se fixou como a imagem que, incluindo ou não fogo de artifício à sua volta, é uma das imagens marcantes das Festas.
A Irmandade de Stº. António diz zelar pelo seu património, em especial, as suas telhas, a Comissão de Festas das Feiras Novas quer usufruir sem condições de um bem que não lhe pertence, a razão fiquem lá com ela que o resultado é desastroso.

sexta-feira, 15 de Setembro de 2006

Antelas - a estética, a economia e o ambiente

Muitas pessoas se espantam com as falhas que vão surgindo na estética paisagística. E, por estar próximo da Vila de Ponte de Lima e ser visível do Largo de Camões, com o nudez do Monte de Antelas.
Também a estética nos deve preocupar e, sendo certo que não há estética inocente, arte pura, belezas intocáveis, há neste caso uma ferida que, manifestamente, sangra.
Só que desde que o homem chegou ao ponto de alterar tão radicalmente a natureza, há que analisar este fenómeno também a outros níveis. E, a nível da economia local, a extracção e laboração da pedra são importantíssimos. Há sacrifícios que compensam.
Por outro lado, se aqui se cria um défice estético, ele é largamente compensado pelas obras maravilhosas a que a nossa pedra, há séculos, dá origem. A beleza espalha-se.
A solução é a minimização do impacte visual pelo cumprimento de regras há muito estabelecidas. Também outras agressões ambientais, como o destino das finas poeiras geradas nesta actividade, devem ser consideradas. E o magno problema da segurança de quem lá trabalha tem que ser resolvido.Acho que neste ponto o trabalho da Câmara de Ponte de Lima e da Junta de Freguesia de Arcoselo vai no bom caminho e, embora não tenha a visibilidade desejada, há empenho em que as coisas avancem num sentido dignificante para todos.

terça-feira, 12 de Setembro de 2006

As bandeiras negras na Gemieira

Os “pequenos” políticos têm como ambição seguir as pisadas dos “maiorezinhos”. Saber usar a televisão é um sinal de maturidade política e o Sr. P. J. de Gemieira, António Matos, sabe.
Colocar bandeiras pretas chama a televisão. Avisar que se vai movimentar nas Feiras Novas também o faz esperar que a televisão faça o favor.
As crianças são o menos. Aí a ambição é pequena. Se as condições foram piores no seu tempo e se chegou a político, bom defensor da sua terrinha, com lugar na capela do poder, para que querer mais?
Rejeita-se a junção de alunos e professores para melhorar as condições pedagógicas, de socialização e de desenvolvimento físico, emocional e intelectual, e isto é que está em causa. Não se aflora a questão fulcral que é o problema dos transportes.
A Câmara move-se, atacando as capelinhas, mas com política de capelão. Não dialoga, decreta. Quer fazer dos P. J. veículos da sua política, ordena. Quer fazer dos P. de Junta testas de ferro.
A gravidade da questão está em que esta Câmara encomendou esta “Carta Educativa”, que qualquer geógrafo rejeitaria. Onde os não havia, criou problemas. Inventou soluções desiguais. Agora vamos “discutir” na televisão aquilo que não soubemos discutir em Ponte de Lima. Vamos ser de novo motivo para o anedotário nacional. Já chega de chacota.

sexta-feira, 8 de Setembro de 2006

O Parque da Madalena merecia mais respeito

O Parque da Madalena é, acima de tudo, um excelente miradouro, transformado em jardim e parque de merendas num dado contexto temporal e cultural.
Perante uma recuperação supõem-se respeito pelo passado e adequação às novas exigências, valorização do miradouro e criação de zonas de desporto e lazer e de outros atractivos.
Na realidade nada de muito significativo foi feito. Talvez a drenagem da água pluvial na coroa do monte. O restante do Parque continua esventrado, à mercê da irreverência das águas pluviais. Abaixo da zona tradicional só matos e eucaliptos.
As mesas estão sem condições para permitir qualquer piquenique. Os bancos estão degradados, os recantos românticos conspurcados, os tubos de água e electricidade por qualquer lado. O lixo corre nos recipientes cheios ou já destruídos.
Na zona da carreira de tiro real e mais à frente na “outra”, o lixo deixado pelos namorados é por demais. Os românticos banquinhos já não farão falta, porque nos dias de hoje se prefere o aconchego dos carros, mas estão arruinados.
Imponha-se uma intervenção de fundo e a definição clara do futuro da zona arborizada com eucaliptos e austrálias que engolem aquele espaço e são desadequadas na nossa região.
Disse-se que a Câmara iria lá investir uns capitais, mas lavando as mãos em relação ao resultado final. Temos de estar atentos porque é obrigação de todos nós ver se o dinheiro é bem gasto.

terça-feira, 5 de Setembro de 2006

A contramão na Rua do Arrabalde

Já apanhei dois sustos no mesmo sítio, junto à Casa da Garrida. De ambas as vezes, com “velhotes”, daqueles que fazem inversão de marcha dentro das auto-estradas. Com a faixa direita ocupada, sigo pela esquerda. De repente surgem os ditos numa situação em que até pensam que têm prioridade e há que frear.
Como junto à Ponte de Crasto tem um sinal de proibição, porém só limitado a pesados, os carros seguem e o sinal de proibição geral de seguir em frente no cruzamento que dá para a Adega é interpretado, por alguns mais distraídos, como se lhes não fosse destinado, por ser “igual” ao anterior.
Só porque a via em frente mantém a mesma largura pensam que é para aí que o sinal de proibição a pesados se destina e não reparam, por terem relaxado o estado de alerta, que ele é diferente.
Porque não reforçar a sinalização, pondo um sinal de proibição de cada lado da via logo a seguir ao cruzamento para a Adega.
A Câmara, diz-se, diz-se, que nos vai prendar com mais uma rotunda e mais uma via para o lado da Veiga de Crasto, mas está tudo, parece, em Banho-Maria. E já agora onde nos levará esta via dita? Aguarda-se uma entrada digna na Vila por aquele lado.Um conselho: projectem as coisas, mas acreditem na opinião pública, divulguem. Só quem não está seguro do que está a fazer omite os seus projectos. Aliás deveriam ser ante-projectos que pudessem ser valorizados com a intervenção dos interessados.

sexta-feira, 1 de Setembro de 2006

A falta de organização do espaço das Feiras Novas

Eu gosto das Feiras Novas, não lhes “quero” grandes mudanças, mas devemos readaptar e melhorar a organização face às novas condições que os tempos vão impondo.
Antigamente os “brinquedos” das Feiras Novas vinham para cá e iam-se para casa em camiões alugados e até davam bastante trabalho aos nossos camionistas.
Mas hoje os proprietários dos “brinquedos” têm autênticas frotas que carregam a casa às costas. Como já se vêm desde há dias, desde quase um mês antes das festas, há camiões estacionados no areal.
Serão dezenas dentro em pouco, mais as roullotes, autênticos hotéis ambulantes. Formarão uma cintura entre a feira e o rio.
Entupirão tudo, não deixarão chegar junto ao rio uma ambulância ou um salva-vidas, ocuparão parte significativa do areal, impedindo a sua fruição e a transferência para lá dos que se instalam na Av. de Plátanos. Não deixarão ver o fogo do areal.
Visto da Ponte Medieval, o espectáculo mais parece um acampamento sem organização, selvagem, do que uma feira.
Devido a isto eu propunha que, como não se podem mandar aqueles veículos para o Parque de Transportes da Ribeira que está ocupado com o lixo da sua limpeza, enviem-nos para o Parque Industrial da Gemieira, que afinal tem lá espaço suficiente para tudo. Este conselho é grátis, daqueles mesmo grátis.

terça-feira, 29 de Agosto de 2006

O lastimoso estado da Ponte de Guia

Num já longínquo dia alguém disse que a nossa ponte e de N. Srª. da Guia estava periclitante, com as pernas fracas, mal sustentada, descalça. Não fosse o açude e ela já se tinha ido.
Não sei se era alarmismo ou se o perigo era bem real mas, estudos feitos, a empreitada foi lançada e os trabalhos tiveram o seu começo.
Realizados aterros, passadiços, desviadas as águas, os dois pilares centrais foram, na sua base, cercados por uma estrutura de chapa e o intervalo assim criado foi preenchido por armações de ferro.
Um dos pilares foi quase reforçado de cimento na sua base, mas eis senão quando os trabalhos pararam, um dos pilares ficou sem cimento, o outro não foi acabado, as armações de ferro e de cofragem não foram retiradas, os pedregulhos ficaram no meio do rio, as tubagens também. Este é o indecoroso espectáculo que se mantém há anos. Não há estética.
Já este ano uma equipa de mergulhadores e outros técnicos lá andou a fazer os seus estudos, quase sorrateiramente, sem ninguém os ouvir e se pronunciar.
Não estamos certos de haver segurança mas, perante tanto alarido à volta das pontes, acho que não haverá candidatos a assassinos neste caso.
Lamenta-se é a mudez da Câmara e dos Serviços Centrais.

sexta-feira, 25 de Agosto de 2006

Apresentação

Parafraseando o Gato Fedorento, esta pequena crónica é grátis, daquelas mesmos grátis, não vai pagar mais por ela. Mas o meu objectivo é, perdoem-me a imodéstia, que ela seja gratificante.
Os assuntos merecem referência se atingirem o limite do ridículo, do bom senso, da legalidade, de um qualquer outro limite de razoabilidade.
Merecem igual referência os assuntos que chegarem ao nível das minhas exigências, por conterem a perfeição suficiente.
Num e noutro caso tentarei utilizar parâmetros apropriados.
Quanto à natureza dos assuntos a abordar dependerá de certo mais da oportunidade e da eventual importância do que do contributo para polémicas em trânsito.
Isto de dizer mal ou bem é tarefa complicada e reconhecidamente muito necessária, mesmo que mal recebida por ineptos e convencidos.
Uma referência, seja favorável ou não, tem de ser entendida como um contributo para a tomada de decisões acertadas. Pode ser um alerta para decisões futuras. Um pôr à disposição dos outros a nossa sabedoria de vida.
Rejeitaremos ressentimentos, processos de intenção, teorias da conspiração, mas também falsas ingenuidades. As opiniões sejam coincidentes, complementares ou opostas são o que são.